Governo autoriza abate de mais de 9000 árvores protegidas em apenas dois meses

O Governo autorizou, nos últimos dois meses, o abate de mais de 9000 sobreiros e azinheiras, árvores legalmente protegidas, para viabilizar projetos considerados de imprescindível utilidade pública nas áreas da ferrovia, energia renovável, infraestruturas rodoviárias e habitação.

Revista de Imprensa

O Governo autorizou, nos últimos dois meses, o abate de mais de 9000 sobreiros e azinheiras, árvores legalmente protegidas, para viabilizar projetos considerados de imprescindível utilidade pública nas áreas da ferrovia, energia renovável, infraestruturas rodoviárias e habitação. As decisões, formalizadas através de despachos publicados em Diário da República, implicam a obrigação de compensação florestal com novas plantações em áreas superiores às afetadas.

Segundo o Expresso, só entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 foram autorizados cortes que totalizam 9464 árvores, maioritariamente sobreiros, com destaque para grandes projetos de investimento público e privado. Entre os despachos mais recentes está a autorização concedida à Lestenergia para o abate de 451 sobreiros e 304 azinheiras, no âmbito do reequipamento do Parque Eólico Penamacor 2, operação que permitirá aumentar significativamente a produção anual de energia renovável e reduzir emissões de gases com efeito de estufa.

Este projeto eólico prevê a instalação de quatro novas torres, com uma potência total de 18 megawatts, em substituição de sete aerogeradores antigos, elevando a produção anual de 23,48 para 88,44 gigawatts hora. Para compensar os abates numa área de 6,7 hectares, a empresa comprometeu-se a arborizar cerca de 12,7 hectares, maioritariamente com sobreiros, ficando a execução do plano sob acompanhamento do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), mediante garantia escrita.

Poucos dias antes, o Governo tinha autorizado a Sonae Arauco a abater 508 sobreiros em Oliveira do Hospital para a instalação de uma unidade de produção de energia solar para autoconsumo, num investimento de 8,5 milhões de euros, com compensação florestal de 6,35 hectares. Outras autorizações incluíram o corte de árvores para a construção da Ponte Internacional sobre o Rio Sever, no concelho de Nisa, e para um empreendimento de habitação a custos controlados em Vila Nova de Gaia, cujas compensações serão realizadas em Viana do Castelo.

O maior impacto resulta, contudo, da modernização da linha ferroviária de Vendas Novas, um projeto de 204 milhões de euros da Infraestruturas de Portugal, que implicará o abate de 7471 sobreiros e três azinheiras, afetando quase 39 hectares. No total, as autorizações recentes representam um número elevado face aos cerca de 13 mil sobreiros cujo corte foi autorizado nos seis anos anteriores a 2023, embora continue a ser considerado residual quando comparado com os cerca de 51 milhões de sobreiros existentes em Portugal, segundo o último Inventário Florestal Nacional.

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