Gosta de vinho, mas detesta a ressaca? Há uma solução… e não precisa de deixar de beber

Durante anos, a escolha parecia resumir-se a duas opções: beber vinho com o teor alcoólico habitual ou optar por alternativas sem álcool. Agora, está a surgir um novo meio-termo.

Executive Digest

Durante anos, a escolha parecia resumir-se a duas opções: beber vinho com o teor alcoólico habitual ou optar por alternativas sem álcool. Agora, está a surgir um novo meio-termo. Os chamados vinhos de teor alcoólico moderado, com cerca de 6% a 11% de álcool, estão a conquistar consumidores que querem reduzir o consumo sem prescindir do sabor, do ritual e, sobretudo, do segundo copo.

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No Reino Unido, a tendência já começa a refletir-se nas vendas. A Ocado registou um aumento de 4.000% nas vendas de vinhos de teor alcoólico moderado no último ano, enquanto as pesquisas por bebidas desta categoria cresceram 400% nos últimos dois anos. Tesco e Sainsbury’s também reportam uma procura crescente, numa altura em que os consumidores parecem cada vez mais interessados em encontrar um equilíbrio entre o consumo de álcool e um estilo de vida mais moderado, como revela o ‘Independent’.

A mudança surge num contexto em que a relação com o álcool está a tornar-se menos binária. Segundo dados da Drinkaware, 44% dos adultos britânicos utilizam atualmente bebidas sem álcool ou de baixo teor alcoólico para moderar o consumo, contra 31% em 2018. A tendência inclui práticas como o “Dry January”, a alternância entre bebidas alcoólicas e sem álcool durante uma noite ou simplesmente a decisão de beber menos durante a semana.

É neste espaço que o vinho de teor moderado procura afirmar-se. Ao contrário dos produtos sem álcool, que retiram completamente o álcool depois da produção e podem perder parte do corpo, textura e aromas característicos do vinho, estas bebidas mantêm uma percentagem de álcool suficiente para preservar uma experiência mais próxima da bebida tradicional.

Não existe, contudo, uma definição oficial de “mid-strength wine”. A expressão pode referir-se a vinhos produzidos especificamente para ter cerca de 6% de álcool, mas também a referências naturalmente mais leves, com 9,5% ou 11%. Alguns estilos tradicionais europeus já se enquadram nesta categoria, como os Riesling Kabinett alemães, frequentemente abaixo dos 10%, o Moscato d’Asti, que ronda os 5% a 6%, ou determinados Vinhos Verdes, conhecidos pelo seu perfil mais leve e fresco.

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A própria produção de vinhos com menos álcool pode seguir diferentes caminhos. Uma das estratégias passa por vindimar mais cedo, quando as uvas têm menos açúcar disponível para a fermentação e, consequentemente, produzem menos álcool. Outra possibilidade é interromper a fermentação antes do seu final ou retirar parte do álcool depois de o vinho estar produzido.

Alguns produtores estão já a construir marcas em torno desta tendência. A britânica 6Percent, por exemplo, produz vinhos em Bordéus e utiliza destilação a vácuo para reduzir o teor alcoólico, permitindo que o álcool evapore a temperaturas mais baixas e diminuindo o risco de comprometer os aromas mais delicados. O vinho é depois combinado com o produto original para atingir cerca de 6% de álcool.

A Wednesday’s Domaine, que começou por apostar em vinhos sem álcool, lançou também uma gama com 6,5% de álcool, combinando vinho convencional com vinho desalcoholizado para tentar preservar mais corpo e sabor, mas com uma menor concentração alcoólica.

A tendência não se explica apenas pela mudança nos hábitos dos consumidores. A fiscalidade também pode estar a contribuir para o interesse crescente neste segmento. No Reino Unido, o sistema de tributação das bebidas alcoólicas passou, em 2023, a ter em conta o teor alcoólico. Depois de um período transitório para o vinho, terminado em fevereiro de 2025, os produtos com maior graduação passaram, de forma geral, a suportar uma carga fiscal superior, criando um incentivo adicional para produtores e retalhistas explorarem referências com menos álcool.

Ainda assim, beber vinho de 6% não significa que seja possível consumir o dobro sem consequências. Uma garrafa com menor graduação contém menos álcool do que uma de 14%, mas a quantidade total ingerida continua a depender do número de copos consumidos.

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Para os consumidores, a principal vantagem poderá estar precisamente na possibilidade de reduzir o álcool sem abandonar completamente a experiência do vinho. Em vez de escolher entre um vinho tradicional e uma alternativa sem álcool, existe agora um espaço intermédio, onde cabem referências propositadamente produzidas com menor graduação e estilos tradicionais que já apresentavam naturalmente níveis mais baixos.

O movimento representa, assim, menos uma revolução tecnológica do que uma mudança na forma como os consumidores encaram o álcool. A ideia não é transformar todos os vinhos em bebidas de 6%, mas começar a olhar para a graduação alcoólica como mais um critério de escolha — ao lado da casta, da região ou do preço.

Para quem procura beber menos, sem abdicar do prazer de abrir uma garrafa e prolongar a refeição com um segundo copo, o vinho de teor alcoólico moderado pode estar a encontrar o seu lugar entre os dois extremos. Não elimina os efeitos do álcool, mas oferece uma alternativa prática para quem quer moderar o consumo sem deixar o vinho completamente de lado.

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