Mikhail Gorbachev, o último líder soviético que faleceu na passada 3ª feira, ficou chocado e perplexo com o conflito na Ucrânia nos meses antes de morrer e psicologicamente esmagado nos últimos anos pelo agravamento dos laços entre Moscovo e Kiev, revelou o seu intérprete à agência ‘Reuters’.
Pavel Palazhchenko, que trabalhou com o falecido presidente soviético durante 37 anos e esteve a seu lado em inúmeras cimeiras entre os Estados Unidos e a União Soviética, falou com Gorbachev há algumas semanas por telefone. “Não é apenas a operação (militar especial) que começou a 24 de fevereiro mas toda a evolução das relações entre a Rússia e a Ucrânia nos últimos anos foi realmente um grande golpe para ele.”
“Era muito óbvio para nós, nas nossas conversas, que ele estava chocado e perplexo com o que estava a acontecer, por todos os tipos de razões. Ele acreditava não apenas na proximidade do povo russo e ucraniano mas que as duas nações estavam misturadas.”
O presidente Vladimir Putin enviou dezenas de milhares de soldados para a Ucrânia em 24 de fevereiro último no que chamou de “operação militar especial” para garantir a segurança da Rússia contra uma aliança militar da NATO em expansão e para proteger a população russa em território ucraniano.
Enquanto líder da União Soviética, Gorbachev tentou manter as 15 repúblicas, incluindo a Ucrânia, juntas, mas falhou depois depois de as suas reformas terem encorajadas muitas a exigir a independência. Mas Gorbachev não teria travado uma guerra. “É claro que não consigo imaginá-lo a dizer ‘É assim e farei o que for preciso para o impor. Não’.”





