Globalização, glocalização e digitalização. Executivos apontam soluções para o futuro das cadeias de abastecimento

Andreia Antunes, Diretora de Business Development do Grupo Luís Simões, Filipa Portugal Ramos, Diretora de Marketing da João Portugal Ramos, Pedro Ribeiro Nunes, Supply Chain Director da Sonae MC e Raúl Magalhães, Presidente da APLOG, reuniram-se em palco do Museu do Oriente para debater os desafios da industrialização e cadeias de abastecimento, nomeadamente no que diz respeito o futuro desta áreas e onde se pode fazer a diferença.

Num debate moderado por Maria João Vieira Pinto, diretora da Executive Digest e com o tema “Industrialização e cadeias de abastecimento – uma necessidade, uma questão de sobrevivência para o futuro – Quais as áreas de futuro – Onde podemos fazer a diferença?”, Raúl Magalhães começou por falar das consequências dos tempos modernos nas cadeias de abastecimentos, nomeadamente relacionadas com a guerra e a pandemia.

De seguida sublinhou que “numa primeira fase podemos pensar que a solução é por fim à globalização, mas isso é impossível”, ou seja, devemos investir em descomplicar as cadeias de abastecimento. Assim, numa ótica de futuro, realçou que a tendência não será negar a globalização, mas sim aproximar os centros de consumo.

De seguida, o debate concentrou-se sobretudo em duas grandes áreas, por um lado a eficiência energética e por outro o desafio da digitalização e sustentabilidade que é para Andreia Antunes, Diretora de Business Development do Grupo Luís Simões  essencial para “estar mais próximo dos clientes”.

Eficiência energética

Todo o painel concordou que este é um assunto central em tudo o que diz respeito a cadeias de abastecimento que a pandemia veio agravar nomeadamente, no que diz respeito ao preço dos combustíveis que Andreia Antunes referiu “não conseguimos evitar”. Apesar disso, é possível aumentar a longevidade das frotas e ter menos veículos na estrada.

O objetivo futuro tem de ser assim automatizar tarefas e investir na robotização apesar de durante a pandemia o Grupo Luís Simões nunca ter deixado de abastecer a grande distribuição.

Já Pedro Ribeiro Nunes, Supply Chain Director da Sonae MC, sublinhou que “temos de conhecer muito bem as cadeias de abastecimento, os fornecedores e os produtos” e só assim se conhecem as fragilidades e por isso o “planeamento é essencial”. No que diz respeito ao que chamou o “desafio energético” referiu que é essencial “diversificar as fontes de energia” e acelerar os processos de produção, mas sempre com uma preocupação energética. Deu o exemplo da Sonae MC que já o fez na Maia com painéis solares.

Filipa Portugal Ramos, Diretora de Marketing da João Portugal Ramos, apontou ainda que num setor um pouco diferente como é os vinhos, a impressibilidade do negócio foi um desafio e que a “a prioridade é assegurar stocks e obviamente passar alguns destes custos ao consumidor” porque o transporte está mais caro, logo “os vinhos vão ficar mais caros”.

Desafio da digitalização e sustentabilidade

Não se pode falar de energia sem referir a digitalização e o papel que esta tem para atingir uma maior eficiência energética e por isso, Raúl Magalhães foi perentório: “Temos de procurar soluções” e não podemos esperar pela ferrovia. De seguida, deu exemplos de tecnologia aplicada às cadeias de abastecimento que vão marcar o futuro, nomeadamente: short sea, navios. robôs e investimento em camiões automatizados que reduzam os custos.

“É impossível que levar um camião para a Suécia dentro quatro anos seja sustentável”, destacou. Algo com que Andreia Antunes concordou, apontando que “é necessário investir mais na glocalização e não tanto na globalização” priorizando as prioridades do cliente.

Já no que diz respeito ao setor dos vinhos, Filipa Portugal Ramos, referiu que este é um setor onde quase não existe desperdício “mas tem que existir ainda menos”, nomeadamente no que diz respeito a embalagens e vidro que ajuda nomeadamente no transporte. Algo que Pedro Riberio Nunes resumiu afirmando que “o desafio é a colaboração” tendo conta que não se conseguem prever os imprevistos sozinho e a colaboração entre setores, motivada pela digitalização, pode levar a encontrar todo o tipo de soluções.

Por fim, Raúl Magalhães resumiu todas estas questões fazendo uma retrospetiva relacionada com o momento que o mundo atravessa no que diz respeito à inflação e sublinhou que “dentro das circunstâncias estamos a passar por um momento positivo” e a digitalização deve ser o “fusível fundamental para aquilo que não estamos à espera”. Chamando à atenção para o tema da conferência ‘Call to action’, assinalou que quanto melhor for a digitalização, mais robustas e sustentáveis serão as organizações e “este é o verdadeiro – Call to action”, terminou.

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