Gigantes tecnológicas mentem sobre os benefícios climáticos da IA – ONG

Um estudo divulgado hoje por uma coligação de organizações não governamentais (ONG) de defesa do ambiente diz que 74% das afirmações sobre os alegados benefícios climáticos da inteligência artificial (IA) generativa carecem de bases sólidas.

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 17, 2026
2:28

Um estudo divulgado hoje por uma coligação de organizações não governamentais (ONG) de defesa do ambiente diz que 74% das afirmações sobre os alegados benefícios climáticos da inteligência artificial (IA) generativa carecem de bases sólidas.


Estas afirmações “servem os interesses das indústrias de tecnologia e dos combustíveis fósseis”, resume um comunicado conjunto de várias ONG, incluindo a Beyond Fossil Fuels, a Green Web Foundation e a Friends of Earth US.


Por outro lado, “minimizam os danos climáticos significativos causados pela IA generativa” alertaram organizações como a Climate Action Against Disinformation, Stand.earth e Green Screen Coalition.


As plataformas analisaram 154 declarações “afirmando que a IA terá um benefício climático líquido, incluindo as de empresas como a Google e a Microsoft e instituições como a Agência Internacional de Energia [AIE]”.


Segundo as ONG, esta é a primeira vez que o argumento de que a IA poderá compensar o aumento da procura de combustíveis fósseis gerada pelos centros de dados é analisado de forma crítica.


“Apenas 26% das afirmações citam artigos académicos publicados e 36% não citam qualquer evidência. No geral, estas declarações baseiam-se em provas frágeis, não em estudos revistos por peritos”, sublinham.


O relatório critica a Google por afirmar em documentos oficiais que a IA poderia mitigar entre 5% e 10% das emissões globais, uma estimativa baseada em dados extrapolados, sem fundamento científico, de uma consultora privada.


O estudo acrescenta ainda que a multinacional atribui à IA benefícios que, na verdade, são fruto dos painéis solares, e não da inteligência artificial.


A AIE, aponta o documento, assume que “os benefícios superam largamente as emissões diretas”, com base em modelos teóricos em vez de medições empíricas, e utiliza também alegações vagas e pouco fundamentadas de que a IA permitirá uma poupança de “até 50% de resíduos”.


Além disso, a AIE indica, em alguns dos seus próprios estudos sobre o tema, que foram revistos por especialistas ligados a tecnológicas como Google, Amazon, Nvidia, Meta e Microsoft, algo que as ONG consideram um potencial conflito de interesses.


Por sua vez, a Microsoft afirma estar a trabalhar em IA generativa para “capacitar uma força de trabalho sustentável”, sem dados verificáveis ou quantificação das reduções de emissões, disse o relatório.


A análise não encontrou “um único exemplo em que sistemas generativos (…) como o ChatGPT, o Gemini ou o Copilot tenham gerado reduções de emissões materiais, verificáveis e substanciais”, apontam os autores.


O estudo conclui que as declarações servem para ocultar as diferenças entre a IA generativa, que tem elevados custos ambientais, e a IA “tradicional”, que tem uma pegada ambiental muito menor, por exemplo, na previsão dos padrões de vento.


“Esta mudança enganadora é uma nova forma de autopromoção ecológica”, afirmam as ONG.


O estudo, liderado pelo analista de clima e energia Ketan Joshi, foi publicado na véspera da Cimeira de Impacto da IA, que se realiza na quinta e sexta-feira em Nova Deli.


“Parece que as empresas tecnológicas estão a usar a falta de clareza sobre o que acontece dentro dos centros de dados que consomem enormes quantidades de energia para esconder uma expansão destrutiva para o planeta”, declarou Joshi.


O especialista acrescentou que “as promessas de tecnologias salvadoras continuam a ser ocas, enquanto os centros de dados continuam a alimentar o carvão e o gás todos os dias”.


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