Entre 2015 e 2016, Isabel dos Santos gastou perto de 780 mil dólares (aproximadamente 703,6 mil euros) só em peças de vestuário e acessórios Dolce & Gabbana. No mesmo período, a empresária angolana gastou mais 2,5 milhões de dólares (2,26 milhões de euros) noutras gigantes de moda, segundo adianta o Quartz.
Isabel dos Santos não só investiu milhões no seu guarda-roupa como foi fotografada para um livro do designer Domenico Dolce e apareceu em eventos como o festival de cinema de Cannes com vestidos da mesma casa de moda. A relação com a Dolce & Gabbana era particularmente estreita, contribuindo para a construção de uma imagem de mulher de sucesso.
Tal como lembra o Quartz, não era ilegal que a Dolce & Gabbana ou qualquer outra marca aceitasse o dinheiro de Isabel dos Santos. A porta-voz da marca afirma que não é hábito auditar as contas dos clientes: «Não é problema nosso o que os clientes fazem nas suas vidas (…) Simplesmente, temos clientes que compram grandes quantidades de produtos e para nós isso não é estranho.»
No entanto, ao incluir Isabel dos Santos na lista de clientes, estas marcas lucravam com negócios que, agora, estão a ser escrutinados sob suspeitas de fraude e práticas criminosas. A investigação Luanda Leaks revela mais de 700 mil emails, contratos e documentos que apontam para informações privilegiadas, empréstimos preferenciais, entre outros, alimentados por dinheiro público.
Além disso, adianta a mesma publicação, as gigantes de moda ajudaram a legitimar a riqueza da família, posicionando a empresária angolana entre a elite da Europa. Além da Dolce & Gabbana, também saltam à vista os gastos em empresas como Staff International (Maison Margiela e Marni), Roberto Cavalli, Moschino, Vicini e Philipp Plein. No caso da Staff International, soma-se mais de um milhão de dólares.
As peças compradas não foram todas directamente para casa de Isabel dos Santos, mas, sim, para um centro comercial construído pela sua empresa Fidequity em Luanda. Segundo o Quartz, a Fidequity planeava usar estas peças para se apresentar num evento em Cannes como a companhia líder em moda e acessórios de Angola. Ambicionava ser também a representante exclusiva destas marcas.






