Gigantes das redes sociais lucram com aumento de casos de ‘sextorsão’, acusam especialistas

Não sendo um fenómeno novo, grupos de monitorização garantiram que desde o início de 2022 notaram um aumento no número de perfis falsos online, principalmente direcionados a adolescentes, com criminosos organizados a exigir o pagamento em dinheiro perante ameaças de partilha das imagens, sejam reais ou falsas

Francisco Laranjeira
Abril 9, 2025
14:27

Os gigantes tecnológicos das redes sociais estão entre as empresas que lucram com a nova e sombria tendência criminosa de extorsão financeira, em que as crianças são enganadas a enviar imagens nuas e chantageadas por dinheiro, revelou esta quarta-feira a publicação ‘The Independent’.

Não sendo um fenómeno novo, grupos de monitorização garantiram que desde o início de 2022 notaram um aumento no número de perfis falsos online, principalmente direcionados a adolescentes, com criminosos organizados a exigir o pagamento em dinheiro perante ameaças de partilha das imagens, sejam reais ou falsas.



De acordo com as autoridades britânicas, nos primeiros cinco meses de 2024 foram recebidos uma média de 117 relatos de ‘sextorção’ de menores, sendo que o número real deve ser bastante maior. Agora, os especialistas do instituto Childlight da Universidade de Edimburgo, que trabalha com a Interpol para rastrear e combater a exploração e o abuso sexual infantil, alertaram que uma série de empresas estão a facilitar e a lucrar com tais crimes. “Os ganhos financeiros não vão apenas para o infrator”, apontaram os investigadores.

“Ao envolver e usar indevidamente empresas comerciais, como provedores de serviços eletrónicos (redes sociais, aplicações de mensagens e serviços de videochamada) e sistemas de pagamento online (serviços de transferência de dinheiro, criptomoedas e serviços bancários online), essas instituições tornam-se facilitadoras da exploração”, acusaram. “Portanto, essas plataformas desempenham um papel na exploração e no abuso sexual que ocorrem nos seus serviços — serviços que evoluíram para atender aos utilizadores — e, ao fazer isso, facilitam e permitem que o abuso ocorra.”

Como a publicidade está vinculada ao número de utilizadores da plataforma, as gigantes tecnológicas podem lucrar mais à medida que mais pessoas utilizam as suas plataformas, inclusive para fins relacionados à exploração e abuso sexual de crianças, denunciou o relatório. “Como resultado, há um ganho financeiro para esses setores e para os infratores, o que pode ser visto como um desincentivo à regulamentação dessas atividades.”

Além desses fluxos, esse crime também gerou a criação de empresas pagas que fornecem serviços de segurança cibernética e gestão de reputação às vítimas para combater os criminosos: essas taxas geralmente são pagas adiantado e podem chegar a milhares de dólares, o que apenas mercantiliza ainda mais o conteúdo de abuso sexual de crianças, forçando-as a pagar por uma solução para o crime de exploração cometido contra elas, alertou a Childlight.

A Childlight pediu que as empresas que lucram com o comércio ilegal se tornem mais hábeis em identificar sinais de alerta que indiquem atividades ilícitas — e enfrentem penalidades financeiras caso não o façam.

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