Um general russo que as autoridades ucranianas acusam de ter ordenado o ataque com um míssil contra o hospital pediátrico Okhmatdyt, em Kiev, foi baleado na cabeça e no tronco num atentado na Rússia e encontra-se em estado grave.
O ataque ocorreu na manhã de quinta-feira na localidade de Probuzhdenie, perto da cidade de Engels, na região russa de Saratov. Segundo vários meios russos, um homem aproximou-se de mota, disparou duas vezes contra o militar e fugiu.
A vítima foi identificada por meios de comunicação russos e canais de Telegram como o major-general Nikolai Varpakhovich, comandante da 22.ª Divisão de Aviação de Bombardeiros Pesados das Forças Aeroespaciais russas. As autoridades russas confirmaram a abertura de uma investigação por tentativa de homicídio de um militar, mas não divulgaram oficialmente a sua identidade.
Dois tiros e uma fuga de mota
Segundo o ‘The Independent’, citando o meio russo ‘Mash’, o atacante aproximou-se de uma residência privada numa mota e abriu fogo. Outras fontes russas indicam que o ataque ocorreu quando o militar saía de uma loja.
Uma das balas atingiu a vítima na cara ou cabeça e a segunda no tronco. O motorista do oficial também terá sido atingido, mas conseguiu pedir assistência médica.
O general foi inicialmente transportado para um hospital da região em estado grave e posteriormente levado para Moscovo para receber tratamento especializado.
O autor dos disparos conseguiu fugir e não foi identificado.
Segundo o ‘SotaVision’, citado pelo ‘The Independent’, este foi o terceiro atentado contra oficiais russos nas últimas duas semanas, numa altura em que responsáveis militares ligados à guerra na Ucrânia continuam a ser alvo de ataques dentro do território russo.
Não existe, até ao momento, qualquer reivindicação de responsabilidade por este atentado. Kiev e os serviços secretos ucranianos também não assumiram qualquer envolvimento.
Kiev acusa-o de ordenar ataque a hospital infantil
O nome de Nikolai Varpakhovich ganhou particular relevância apenas alguns dias antes do atentado.
A 31 de agosto, o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) e o gabinete do procurador-geral anunciaram que tinham constituído o major-general suspeito à revelia pela sua alegada responsabilidade no ataque ao hospital pediátrico Okhmatdyt, em Kiev, ocorrido a 8 de julho de 2024.
Segundo a investigação ucraniana, Varpakhovich, enquanto comandante da 22.ª Divisão de Aviação de Bombardeiros Pesados, deu a ordem de combate para atingir o hospital.
As autoridades ucranianas sustentam que unidades sob o seu comando lançaram um míssil de cruzeiro Kh-101 a partir de um bombardeiro estratégico Tu-95MS e que o projétil atingiu diretamente as instalações pediátricas.
Na altura do ataque encontravam-se no complexo hospitalar mais de 600 pacientes, além de centenas de funcionários. Duas pessoas morreram e dezenas ficaram feridas.
O edifício de toxicologia ficou destruído e outras instalações onde eram realizadas intervenções cirúrgicas a crianças gravemente doentes sofreram danos.
Comanda unidade de bombardeiros estratégicos
Varpakhovich comanda uma das unidades importantes da aviação de longo alcance russa.
A 22.ª Divisão está associada à base aérea Engels-2, situada nas proximidades do local onde ocorreu o atentado. É uma das principais instalações da aviação estratégica da Rússia e acolhe bombardeiros Tu-95MS e Tu-160, utilizados para lançar mísseis de longo alcance contra a Ucrânia.
A própria base tem sido repetidamente alvo de ataques ucranianos ao longo da guerra.
Segundo o SBU, a investigação ao ataque de 2024 permitiu identificar a cadeia de comando que terá levado ao lançamento do míssil contra o hospital pediátrico.
“Como estabeleceu a investigação, a 8 de julho de 2024 [Varpakhovich] deu uma ordem de combate para realizar um ataque com mísseis contra o Hospital Pediátrico Nacional Especializado Okhmatdyt, em Kiev”, anunciou o serviço secreto ucraniano esta semana.
A acusação foi apresentada à revelia apenas três dias antes de surgirem as primeiras notícias de que o general tinha sido baleado.
Rússia investiga tentativa de homicídio
O Comité de Investigação da Rússia abriu um processo criminal por tentativa de homicídio e posse ilegal de armas relacionado com o ataque em Engels.
Investigadores recolheram invólucros e projéteis no local e estão a tentar identificar e localizar o autor dos disparos.
A identidade da vítima continua, porém, sem confirmação oficial por parte das autoridades russas. A informação de que se trata de Nikolai Varpakhovich foi avançada inicialmente por canais russos de Telegram e posteriormente reproduzida por vários meios independentes.
Também permanece desconhecida a motivação do ataque.
As autoridades ucranianas não reivindicaram qualquer envolvimento no atentado. O que está confirmado é a coincidência temporal: três dias depois de Kiev ter anunciado formalmente as suspeitas contra Varpakhovich pelo ataque ao hospital pediátrico Okhmatdyt, o general identificado pelos meios russos foi atingido por dois tiros perto da base onde está sediada a sua unidade.



















