Gafe na campanha eleitoral: AD troca “passe rodoviário” por proposta para idosos e reacende polémica sobre autoria do passe ferroviário verde

Erro num cartaz da Aliança Democrática levou a uma alteração de mensagem e a novas acusações de apropriação indevida de medidas apresentadas por outros partidos

Pedro Zagacho Gonçalves

A Aliança Democrática (AD) foi esta semana alvo de críticas e embaraço após ter afixado em Lisboa um cartaz eleitoral onde anunciava a criação de um suposto “passe rodoviário verde”. A mensagem, amplamente divulgada nas redes sociais, continha um erro: a medida pretendida era na verdade um passe ferroviário, o que levou o partido a recuar e substituir o cartaz por outro com uma proposta completamente diferente.

O erro foi inicialmente destacado pelo utilizador Diogo Duarte, assumidamente próximo do partido Livre, que publicou no dia 15 de abril no X (antigo Twitter) uma fotografia do cartaz com a legenda: “Rodoviário? É ferroviário, Luís… e a proposta é do Livre (PSD votou contra)”.

A publicação tornou-se viral, gerando comentários sarcásticos e críticas à falta de rigor da campanha da AD. Perante o embaraço, o cartaz foi rapidamente retirado do espaço público, e as versões digitais da mensagem foram corrigidas, trocando “rodoviário” por “ferroviário”.

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Contudo, no local onde o erro foi inicialmente exposto, a AD optou por afixar um novo cartaz com uma proposta distinta: o aumento do complemento solidário para idosos. A mudança foi confirmada pelo Observador, que fotografou o novo cartaz com a mensagem: “Aumentámos o complemento solidário para idosos”.

O incidente acabou por reacender um debate mais profundo sobre a verdadeira autoria do chamado “passe ferroviário verde”, uma medida que tem sido destacada por diferentes forças políticas.

O partido Livre veio publicamente recordar que a ideia de um Passe Ferroviário Nacional foi sua, tendo sido aprovada na discussão do Orçamento do Estado para 2023. A proposta previa um passe mensal de 49 euros, válido para os comboios regionais da CP, com expansão gradual a outros serviços da ferrovia nacional.

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Por seu lado, o Governo de Luís Montenegro, apoiado pela AD, viria a anunciar, no verão de 2024, a criação do “passe ferroviário verde”. A medida, aprovada em Conselho de Ministros, entrou em vigor a 21 de outubro de 2024, com um valor mais acessível: 20 euros mensais. Este passe permite atualmente viajar em quase todos os serviços da CP, com exceção do Alfa Pendular e dos comboios urbanos já incluídos em passes metropolitanos.

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