G7 cede à pressão de Trump e vai libertar 100 milhões de barris das reservas estratégicas

Os países do G7 chegaram a acordo para libertar 100 milhões de barris de gasóleo, outros produtos refinados e petróleo bruto das reservas estratégicas, numa operação coordenada pela Agência Internacional de Energia (AIE) que deverá arrancar de imediato e prolongar-se durante quatro meses.

Executive Digest

Os países do G7 chegaram a acordo para libertar 100 milhões de barris de gasóleo, outros produtos refinados e petróleo bruto das reservas estratégicas, numa operação coordenada pela Agência Internacional de Energia (AIE) que deverá arrancar de imediato e prolongar-se durante quatro meses.

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A decisão surge depois de uma forte pressão da Administração de Donald Trump sobre os parceiros europeus. A Casa Branca tinha exigido à Europa a disponibilização de pelo menos 100 milhões de barris e ameaçado avançar com uma proibição das exportações americanas de gasóleo caso esse pedido não fosse atendido.

O objetivo é aumentar a oferta num momento em que os preços dos combustíveis estão sob forte pressão nos mercados internacionais. Nos Estados Unidos, Trump enfrenta também pressão política para reduzir os preços pagos pelos automobilistas antes das eleições intercalares de novembro, que decidirão o controlo do Congresso.

De acordo com o Financial Times, os líderes do G7 justificaram a medida com as atuais pressões sobre o mercado e indicaram que uma parte “substancial” das reservas de gasóleo deverá ser colocada no mercado logo nos primeiros 20 dias.

Trump agradece decisão europeia

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Após o anúncio, Donald Trump reagiu através da sua conta na Truth Social, afirmando que a Europa tinha concordado em libertar uma quantidade significativa das suas reservas de gasóleo e destacando que o processo começaria imediatamente.

A nova operação acontece depois de, em março, a Europa se ter comprometido a disponibilizar 73 milhões de barris de combustíveis refinados, no âmbito de uma libertação global de 400 milhões de barris de reservas estratégicas coordenada pela AIE em resposta ao conflito no Médio Oriente.

Os Estados Unidos já terão cumprido grande parte da sua participação nesse programa, mas alguns países europeus ainda não concretizaram integralmente os compromissos assumidos, segundo Fatih Birol, responsável máximo da Agência Internacional de Energia.

A decisão desta sexta-feira não foi, porém, tomada sem reservas do lado europeu. Os líderes do G7 realizaram uma reunião à distância para discutir as exigências americanas, numa altura em que vários países europeus receiam reduzir os seus stocks sem saber durante quanto tempo se prolongará o conflito com o Irão.

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A Comissão Europeia manifestou-se contra uma eventual proibição americana das exportações de gasóleo. Anna-Kaisa Itkonen, porta-voz da Comissão, afirmou que uma medida desse género não beneficiaria nenhuma das partes e colocaria em causa a confiança nos Estados Unidos enquanto parceiro fiável.

Segundo o Financial Times, Emmanuel Macron falou durante a noite com Donald Trump e defendeu uma resposta concertada para combater a subida dos preços dos combustíveis e garantir a disponibilidade mundial de produtos refinados.

O Presidente francês terá sublinhado que os países do G7 partilham o interesse em atuar de forma coordenada, sem recorrer a restrições às exportações.

Gasóleo acima dos 200 dólares por barril

A intervenção nas reservas acontece depois de várias semanas em que o gasóleo tem sido negociado acima dos 200 dólares por barril nos Estados Unidos, Europa e Ásia.

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A subida é atribuída a uma sucessão de perturbações que estão a afetar as refinarias e a oferta mundial, entre as quais a guerra com o Irão, o conflito entre a Rússia e a Ucrânia e a decisão da China de limitar as exportações de combustíveis.

Na quinta-feira tornou-se também conhecido que Pequim não atribuiu às maiores refinarias chinesas quotas para exportação de combustíveis em outubro, com exceção dos fornecimentos destinados a Hong Kong e Macau.

No Reino Unido, o preço do gasóleo ultrapassou esta sexta-feira, pela primeira vez, as duas libras por litro, segundo os dados da RAC.

A libertação dos 100 milhões de barris deverá agora começar de imediato sob coordenação da AIE, com especial incidência no gasóleo durante as primeiras semanas, numa tentativa de aliviar a pressão sobre um mercado internacional de combustíveis condicionado por conflitos geopolíticos e restrições à oferta.

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