O presidente do Credit Suisse lamentou “muito”, esta terça-feira, por ocasião da última assembleia geral anual do banco, não ter conseguido conter a crise que levou a uma aquisição de emergência pelo UBS.
Aos investidores reunidos em Zurique, Axel Lehmann sublinhou que havia planos legítimos de transformar o banco mas foram “impedidos” pelo pânico do mercado sobre a saúde do setor bancário global, após o colapso do banco americano Silicon Valley Bank. O banco “lutou muito para encontrar uma solução”, reconheceu, mas acabou por ficar com duas opções: fechar um acordo com o UBS ou declarar falência.
“Estamos aqui hoje numa situação que ninguém poderia ter previsto”, referiu Lehmann. “É um dia triste. Posso entender a amargura, a raiva e o choque de todos aqueles que estão desapontados, oprimidos e afetados pelos acontecimentos.”
“Queríamos colocar toda a nossa energia e os nossos esforços para reverter a situação. Dói-me que não tenhamos tido tempo para fazê-lo naquela semana fatídica de março, os nossos planos foram frustrados. E por isso realmente estou arrependido”, frisou.
O Credit Suisse foi vendido ao UBS devido a uma aquisição de emergência orquestrada pelo Governo suíço a 19 de março, quando o pânico sobre a saúde do sistema financeiro aumentou após o colapso do SVB.
Lehmann disse que a única outra opção seria a falência. “Isso teria levado ao pior cenário: ou seja, perda total para os acionistas, riscos imprevisíveis para os clientes, consequências graves para a economia e para os mercados financeiros globais”, afirmou, reforçando: “Era o nosso dever proteger os interesses dos nossos acionistas da melhor maneira possível para dar segurança aos nossos clientes. Fizemos tudo o que podíamos dentro do possível.”
Lehmann garantiu que a aprovação da venda ao UBS pelo conselho de administração (ultrapassando o processo para que fosse votado pelos acionistas) foi “um dos momentos mais difíceis”, mas garantiu que conduziu a “uma solução que traz clareza, segurança e estabilidade”.
“O Credit Suisse não existirá no seu formato atual no futuro, e o que resta é, compreensivelmente, uma deceção, amargura e tristeza pelo fim de um banco no qual acreditávamos”, concluiu o presidente do Credit Suisse, banco que foi fundada em 1856.
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