Fusão ou bancarrota: presidente do Credit Suisse faz ‘mea culpa’. “Queríamos colocar a nossa energia para reverter a situação. Dói-me que não tenhamos tido tempo”

Axel Lehmann esteve reunido com os investidores durante a última assembleia geral anual do banco suíço

Francisco Laranjeira
Abril 4, 2023
12:12

O presidente do Credit Suisse lamentou “muito”, esta terça-feira, por ocasião da última assembleia geral anual do banco, não ter conseguido conter a crise que levou a uma aquisição de emergência pelo UBS.

Aos investidores reunidos em Zurique, Axel Lehmann sublinhou que havia planos legítimos de transformar o banco mas foram “impedidos” pelo pânico do mercado sobre a saúde do setor bancário global, após o colapso do banco americano Silicon Valley Bank. O banco “lutou muito para encontrar uma solução”, reconheceu, mas acabou por ficar com duas opções: fechar um acordo com o UBS ou declarar falência.

“Estamos aqui hoje numa situação que ninguém poderia ter previsto”, referiu Lehmann. “É um dia triste. Posso entender a amargura, a raiva e o choque de todos aqueles que estão desapontados, oprimidos e afetados pelos acontecimentos.”

“Queríamos colocar toda a nossa energia e os nossos esforços para reverter a situação. Dói-me que não tenhamos tido tempo para fazê-lo naquela semana fatídica de março, os nossos planos foram frustrados. E por isso realmente estou arrependido”, frisou.

O Credit Suisse foi vendido ao UBS devido a uma aquisição de emergência orquestrada pelo Governo suíço a 19 de março, quando o pânico sobre a saúde do sistema financeiro aumentou após o colapso do SVB.

Lehmann disse que a única outra opção seria a falência. “Isso teria levado ao pior cenário: ou seja, perda total para os acionistas, riscos imprevisíveis para os clientes, consequências graves para a economia e para os mercados financeiros globais”, afirmou, reforçando: “Era o nosso dever proteger os interesses dos nossos acionistas da melhor maneira possível para dar segurança aos nossos clientes. Fizemos tudo o que podíamos dentro do possível.”

Lehmann garantiu que a aprovação da venda ao UBS pelo conselho de administração (ultrapassando o processo para que fosse votado pelos acionistas) foi “um dos momentos mais difíceis”, mas garantiu que conduziu a “uma solução que traz clareza, segurança e estabilidade”.

“O Credit Suisse não existirá no seu formato atual no futuro, e o que resta é, compreensivelmente, uma deceção, amargura e tristeza pelo fim de um banco no qual acreditávamos”, concluiu o presidente do Credit Suisse, banco que foi fundada em 1856.

Credit Suisse e UBS vão pagar caro o resgate do Banco Central suíço

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.