Funeral com Honras de Estado no último adeus ao presidente do Parlamento Europeu

Funeral de David Sassoli vai contar, em representação do Governo português, com o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva

Francisco Laranjeira

O funeral de Estado de David Sassoli vai decorrer esta manhã, a partir das 11 horas, na igreja de Santa María de los Ángeles y los Mártires, na Piazza della Republica, em Roma, e vai contar com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, assim como diversos responsáveis políticos italianos e europeus. A despedida do presidente do Parlamento Europeu vai também contar, em representação do Governo português, com o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

David Sassoli faleceu na passada terça-feira, aos 65 anos, em Aviano (Itália), após ter estado hospitalizado desde 26 de dezembro devido a uma disfunção do sistema imunológico. Em setembro do ano passado, o antigo jornalista contraiu uma pneumonia, tendo regressado no início de dezembro ao trabalho depois de dois meses ausente das sessões plenárias do Parlamento Europeu. Na primeira sessão plenária do ano agendada para o próxima semana, será escolhido o sucessor de Sassoli. A eleição já estava prevista a meio da atual legislatura antes da sua morte.

No velório, que decorreu esta quinta-feira, era possível ver-se diversas coroas de flores de numerosas instituições italianas e europeias e cantou-se a música sacra de Johann Sebastian Bach. O caixão foi recebido pela manhã pela mulher, Alessandra Vittorini, e pelos filhos, Giulio e Livia, e com eles o prefeito de Roma, Roberto Gualtieri.

O Presidente da República, Sergio Mattarella, veio dar a sua última saudação ao político e jornalista logo após a abertura da capela, sendo seguido por todos os os líderes políticos italianos, como o primeiro-ministro, Mario Draghi.

Em declarações à Lusa e RTP em Brest, Augusto Santos Silva recordou Sassoli como um “europeísta” e destacou o seu papel “essencial” durante a presidência portuguesa do Conselho da UE, no primeiro semestre do ano passado.

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“Lamento muito a morte prematura de David Sassoli. Em primeiro lugar, era um europeísta, foi o presidente do Parlamento Europeu, oriundo de um país fortemente europeísta, a Itália, e de uma família política, os Socialistas, também fortemente europeísta. Depois, porque desempenhou com muita qualidade as suas funções no Parlamento Europeu, sabendo afirmar a nova centralidade do Parlamento”, consagrada pelo Tratado de Lisboa, começou por dizer o governante português.

Augusto Santos Silva comentou então que, “para a presidência portuguesa do Conselho, durante o primeiro semestre do ano passado, a sua colaboração foi essencial”.

“Por isso é que nós pudemos relançar finalmente a Conferência sobre o Futuro da Europa, que estava bloqueada, por isso é que nós pudemos aprovar a primeira Lei europeia do Clima, pudemos fazer a reforma da Política Agrícola Comum, pudemos aprovar o instrumento de recuperação e resiliência, e, portanto, lançar os planos nacionais de recuperação e resiliência, e pudemos aprovar o certificado digital covid-19 no prazo de tempo mais curto da história recente da UE”, elencou.

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“Pudemos fazer tudo isto porque contámos sempre com a colaboração, a compreensão e o empenhamento do Parlamento Europeu e do seu presidente David Sassoli. Portanto, não poderíamos deixar de estar presentes nas suas cerimónias fúnebres, e o Governo português decidiu que a representação se faria ao meu nível”, concluiu.

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