O porta-voz da União Europeia (UE) para os assuntos externos, Peter Stano, alertou que a Rússia tem enviado funcionários para as suas embaixadas, para realizar ações de espionagem.
Em entrevista à ‘CNN Portugal’, o responsável sublinhou que uma das estratégias de Putin para executar operações secretas é colocar “um número desproporcionado” de funcionários “que fingem ser diplomatas” em países em que a dimensão da população não o justifica.
“As embaixadas russas, especialmente nos países da União Europeia, têm um número desproporcionalmente alto de diplomatas. Em países com, por exemplo 10 milhões de habitantes, eles acabam por ter dezenas e dezenas de diplomatas”, refere.
Stano exemplifica: “A embaixada de Portugal em Moscovo provavelmente tem no máximo dez diplomatas para lidar ativamente com vários assuntos, mas no caso da Rússia isto não acontece desta forma: o Kremlin tem 100 diplomatas na sua missão na União Europeia e depois tem outros 100 na missão bilateral com a Bélgica”.
“Outro caso evidente é o da República Checa, que tem cerca de 11 milhões de habitantes e mais de 100 diplomatas russos. Na embaixada da Rússia na Eslováquia, há também entre 70 a 80 funcionários e só podemos supor o que todas essas pessoas estão a fazer”, adianta à estação
Assim, justifica, “nós apenas os expulsamos porque alguns deles usam uma capa para esconder o seu envolvimento em atividades de espionagem ou atividades impróprias que não estão de acordo com o status diplomático, ou com a Convenção de Viena”.
Questionado sobre as tentativas para desinformar os Estados-Membros, o porta-voz europeu não considera que “de repente haja muito mais desinformação por estes atores ligados ao Estado russo, porque essas tentativas são mais ou menos constantes desde que começámos, em 2015, a investigar este tipo de ações”.
“Aqui, a questão é a concentração de esforços em tópicos que servem os interesses do Kremlin. Antes da invasão, estes atores de desinformação e de propaganda estavam focados em diferentes temas, países diferentes, mas agora podemos vê-los a conduzir um esforço coordenado em tentar convencer o público que a Ucrânia era governada por neonazis, que as populações russas estavam em risco na região do Donbass e que a NATO, agressiva e expansionista, estava a aproximar-se da Rússia”, conclui, citado pela ‘CNN Portugal’.












