A fuga do ex-magnata dos automóveis, acusado dos crimes de desvio de dinheiro, fraude fiscal e gestão danosa, está a sair-lhe cara. Em Abril, Carlos Ghosn voltou a sair da prisão mediante o pagamento de uma caução de 12,6 milhões de euros, ficando em prisão domiciliária e impedido de sair do Japão. Mas a fuga para o Líbano custou-lhe outros 13 milhões de euros. Contas feitas, foram desembolsados acima de 25 milhões de euros.
Estas despesas, segundo dados da “Bloomberg”, podem ter reduzido a fortuna do ex-líder do grupo Nissan e da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi em 40%, desde que foi preso há mais de um ano no aeroporto de Tóquio. A sua fortuna é agora estimada em aproximadamente 63 milhões de dólares, muito abaixo dos 108 milhões de dólares quando compareceu, pela primeira vez, em tribunal.
Agora, a fuga de Ghosn parece ter inspirado a criação de um jogo, que será lançado a 22 de Janeiro. Em «Ghone is gone», o jogador controla a fuga do ex-empresário sem gastar todo o dinheiro disponível (2.600 milhões de dólares), numa referência ao facto de Ghosn ter perdido cerca de 12 milhões de euros por violar a sua liberdade condicional no Japão.
Recorde-se que Ghosn, de 65 anos, ia ser julgado este ano, mas fugiu para o Líbano para livrar-se da «injustiça e perseguição política» de que diz ser vítima. De acordo com a imprensa japonesa, Ghosn apanhou, no passado dia 29 de Dezembro, um comboio entre Tóquio e Osaka, de onde embarcou num avião particular com destino a Istambul, Turquia. No dia seguinte, rumou a Beirute, no Líbano, num outro avião.
As autoridades libanesas garantem que o empresário entrou legalmente no Líbano e lembram que não há acordo de extradição com o Japão. Porém, o Líbano recebeu na passada quinta-feira um aviso vermelho da Interpol (solicitações às agências policiais em todo o mundo para que localizem e detenham provisoriamente um fugitivo procurado), relativo a Ghosn. Assim, o empresário deverá ser chamado na próxima semana ao Ministério Público, referiu uma fonte judicial à agência de notícias “France-Presse”.
O ex-magnata do sector automóvel foi preso pela primeira vez em Novembro de 2018. De acordo com a acusação, não reportou cerca de 82 milhões de dólares (73 milhões de euros) em salários e transferiu perdas financeiras pessoais para a Nissan.
Foi libertado a 6 de Março do ano passado, após pagar uma fiança. No entanto, no mês seguinte, foi novamente preso. Ainda em Abril, voltou a sair da prisão mediante o pagamento de nova caução, ficando em prisão domiciliária, impedido de sair do Japão e de contactar a mulher, Carole Ghosn.














