Fuga de médicos para o estrangeiro bate recorde de quatro anos

É preciso recuar até aos anos da crise em Portugal para somar tantos médicos a caminho de sistemas de saúde estrangeiros. Clínicos procuram melhores condições.

Executive Digest

Até ao final do ano, os pedidos de certificados para exercer medicina fora do país deverão ficar perto de 400, avança o semanário ‘Expresso’. É preciso recuar até aos anos da crise em Portugal para somar tantos médicos a caminho de sistemas de saúde estrangeiros. E há um dado novo: a emigração inclui agora profissionais em todas as fases da carreira, incluindo seniores com décadas de SNS.

As razões de quem sai são variadas, salienta o semanário, mas há uma comum a todos: a degradação das condições de trabalho no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Até agosto, de acordo com os dados apurados pelo Expresso, tinham chegado à Ordem dos Médicos (OM) 253 pedidos, 230 só na delegação Sul. E isto sem incluir os números da região Norte, que foram solicitados mas ficaram sem resposta. Com uma média de 32 solicitações por mês, 2019 terminará com 381 saídas, a que se juntarão outras no Norte, com um número expressivo de profissionais. Contas feitas, não será difícil ultrapassar o valor mais elevado de sempre, de 475 saídas em 2015.

As opções para trabalhar fora do país são muitas. De acordo com a Comissão Europeia, no próximo ano, a Europa vai precisar de cerca de 230 mil médicos. Só no Reino Unido – um destino de eleição dos portugueses – vão ser contratados seis mil médicos em 2020.

As condições de trabalho fora de Portugal são um atrativo para estes profissionais. Fazer formação e trabalhar no Reino Unido, por exemplo, é substancialmente diferente: “Tenho contrato de 43 horas por semana, das 9 às 17 horas, e turnos de Urgência de 12 horas uma vez por semana. Quando trabalho à noite, quatro vezes a cada três meses, folgo de dia”, afirma um médico ouvido pelo Expresso, que aponta ainda outro pormenor: “agora ganho mais de 43 mil euros por ano, que depois vão aumentando”, conclui.

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Em França não é muito diferente. “Um médico ganha dois mil euros líquidos no início da carreira numa área urbana e cinco mil numa região carenciada, tendo isenção fiscal durante cinco anos. Em regime livre, como aqui funciona a medicina geral e familiar, trabalham-se quatro dias, veem-se 30 doentes e a remuneração ronda sete mil euros líquidos”, explica outro profissional.

Já em Portugal, há uma “pressão considerável da hierarquia e um retorno profissional e financeiro muito baixo”: 1300 euros líquidos para os recém-especialistas. “Tinha mais de 30 doentes num dia e nem podia parar para comer ou ir à casa de banho, adianta outro especialista emigrado.

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