Navios antigos e com deficiências navegam pelos mares europeus, carregados de petróleo, com seguros inadequados para cobrir possíveis desastres. E os países europeus e os EUA estão cientes do uso de uma frota secreta pela Rússia para transportar petróleo.
Segundo investigações conjuntas do Financial Times e do grupo dinamarquês Danwatch, aproximadamente 140 navios dessa “frota fantasma” podem ter navegado pelas águas europeias desde o final de 2023.
Os documentos revelam que os navios russos, que escapam às sanções ocidentais, dependem de seguros com cláusulas que tornam as reivindicações praticamente impossíveis. A Ingosstrakh, seguradora sediada em Moscovo, oferece cobertura, porém, com uma “cláusula de exclusão de sanções”, inviabilizando a maioria das reivindicações em caso de desastre, conta o ‘elEconomista’.
A analista do Lloyd’s, Michelle Wiese Bockmann, alerta para os graves riscos ambientais e de segurança, especialmente nas rotas internacionais onde o petróleo russo é transportado, como as águas dinamarquesas e o Canal da Mancha.
A Dinamarca expressou preocupação, afirmando estar aberta à aplicação de medidas adicionais da UE contra essa frota paralela russa. O ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, destacou a falta de seguro adequado como uma questão problemática.
Desde a imposição de sanções ocidentais, o número de petroleiros que transportam petróleo russo sem seguro aumentou drasticamente. Em apenas três meses, foram identificadas 191 viagens de petroleiros a partir dos portos russos do Báltico, sendo que 140 delas foram realizadas em navios sem seguro de fornecedores ocidentais.





