Friedrich Merz é o líder de Governo mais impopular do mundo, revela sondagem internacional

O chanceler alemão Friedrich Merz regista o nível de aprovação mais baixo entre 24 líderes democraticamente eleitos analisados pelo instituto norte-americano Morning Consult.

Pedro Zagacho Gonçalves

O chanceler alemão Friedrich Merz regista o nível de aprovação mais baixo entre 24 líderes democraticamente eleitos analisados pelo instituto norte-americano Morning Consult. Apenas 19% dos alemães dizem estar satisfeitos com o seu desempenho, enquanto 76% manifestam desaprovação, colocando-o no último lugar do ranking internacional de popularidade governamental.

No mesmo estudo, o Presidente francês Emmanuel Macron surge como o segundo líder com pior avaliação, com 18% de aprovação e 75% de desaprovação. Ainda assim, é Merz quem apresenta o índice de rejeição mais elevado. Dados semelhantes foram obtidos numa sondagem realizada pelo instituto Forsa para a RTL, que aponta 78% de insatisfação face ao chanceler e apenas 20% de opiniões favoráveis.

Manfred Güllner, responsável pela Forsa, afirmou que Merz “já era um dos actores políticos mais impopulares da República Federal” no início dos anos 2000 e que, após regressar à política, não conseguiu inverter essa tendência. “Há reservas maciças, sobretudo entre mulheres, jovens eleitores e alemães de Leste”, explicou, acrescentando que, depois de eleito décimo chanceler da República, não só não reduziu essas resistências como elas “se tornaram ainda maiores ao longo do seu tempo no cargo”. Também Hermann Binkert, director do instituto Insa, sustenta que o chefe do Governo “quebrou promessas eleitorais” e enfrenta um contexto de desenvolvimento económico negativo, com muitos cidadãos a verem o país “numa espiral descendente”. Segundo Binkert, “nem o campo burguês-conservador nem o campo liberal-progressista de esquerda estão satisfeitos com o que a coligação governamental está a implementar”.

No plano internacional, o Presidente turco Recep Tayyip Erdoğan posiciona-se a meio da tabela, com 36% de aprovação e 50% de desaprovação, embora subsistam dúvidas quanto às condições de avaliação num país que alguns especialistas já não classificam como democracia plena. O Presidente norte-americano Donald Trump aparece ligeiramente acima, ocupando o décimo lugar a contar do fim, com 38% de aprovação e 57% de rejeição, números próximos dos registados numa sondagem da revista The Economist (37% favoráveis e 56% desfavoráveis). Também em posição intermédia surgem o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez (38% contra 57%), a chefe do Governo italiano Giorgia Meloni (39% contra 55%) e o Presidente argentino Javier Milei (48% contra 49%).

No topo da lista encontra-se o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, com 70% de aprovação, seguido pelo Presidente sul-coreano Lee Jae-myung (63%) e pelo primeiro-ministro checo Andrej Babiš (55%). Güllner rejeita a ideia de que os alemães sejam estruturalmente mais cépticos em relação à liderança política, recordando que antigos chanceleres como Konrad Adenauer, Willy Brandt e Gerhard Schröder gozaram de elevados níveis de aceitação. “A grande insatisfação com o actual chanceler não se deve a um cepticismo geral dos alemães, mas exclusivamente à pessoa de Merz”, afirmou.

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Com estes resultados, Merz fica mesmo abaixo do seu antecessor Olaf Scholz, que, no momento mais baixo do seu mandato, registou ainda assim 28% de aprovação e 67% de avaliações negativas (dados de Junho de 2024). O barómetro da Morning Consult baseia-se em inquéritos a adultos em cada país e reflecte uma média móvel simples de sete dias, oferecendo uma fotografia comparativa da popularidade dos líderes nas principais democracias do mundo.

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