FEmpresários de renome em Itália foram alvo de uma sofisticada burla que utilizou inteligência artificial para clonar a voz do ministro da Defesa, Guido Crosetto. Os burlões, fazendo-se passar pelo governante, tentaram persuadir várias figuras do mundo dos negócios a transferirem elevadas somas de dinheiro para uma conta bancária em Hong Kong, sob o pretexto de resgatar jornalistas italianos alegadamente sequestrados no Médio Oriente.
A fraude teve como alvo algumas das personalidades mais influentes da economia italiana, incluindo o estilista Giorgio Armani, o ex-proprietário do Inter de Milão Massimo Moratti, o cofundador da Prada Patrizio Bertelli e membros das famílias bilionárias Beretta e Menarini, entre outros. Segundo a imprensa italiana, os burlões contactaram as vítimas através de chamadas telefónicas, durante as quais se faziam passar por Crosetto ou membros do seu gabinete.
Aos empresários foi pedido que transferissem cerca de um milhão de euros para uma conta bancária localizada em Hong Kong, supostamente para garantir a libertação de jornalistas italianos sequestrados.
O próprio Guido Crosetto veio a público denunciar a situação. Numa publicação na rede social X na semana passada, o ministro descreveu o caso como uma “fraude grave” e uma “história absurda”.
Crosetto revelou que tomou conhecimento da burla após receber uma chamada de um amigo, “um grande empresário”, que lhe perguntou por que motivo o seu secretário o teria contactado para pedir o seu número de telemóvel. O ministro estranhou o pedido e garantiu que tal era impossível, mas ainda assim decidiu confirmar junto da sua equipa, que assegurou não ter feito qualquer contacto com o empresário.
Pouco depois, foi novamente alertado por outro empresário, este um desconhecido, que lhe explicou ter transferido uma soma avultada para uma conta bancária fornecida por alguém que se identificou como “General Giovanni Montalbano”. O empresário acreditava ter falado com o próprio Crosetto antes de realizar a operação.
Ao perceber o esquema, o ministro alertou de imediato o empresário e as autoridades, que se deslocaram à residência da vítima para recolher informações e formalizar uma queixa. Crosetto sublinhou que a fraude se repetiu várias vezes nos dias seguintes.
“Prefiro tornar os factos públicos para que ninguém corra o risco de cair na armadilha”, escreveu no X.
As autoridades italianas já estão a investigar o caso e a analisar a lista de vítimas potenciais. Ainda não está claro se os burlões utilizaram uma gravação prévia da voz de Crosetto ou um sofisticado sistema de inteligência artificial capaz de modificar a voz em tempo real para imitar a do ministro.
O caso surge pouco tempo depois de o governo de Giorgia Meloni ter conseguido assegurar a libertação da jornalista italiana Cecilia Sala, que passou cerca de um mês na infame prisão de Evin, em Teerão, antes de ser libertada em meados de janeiro.
Várias vítimas já avançaram com queixas formais contra os criminosos. De acordo com a imprensa italiana, Massimo Moratti, assim como as famílias Aleotti e Beretta, já apresentaram queixa junto das autoridades.
Questionado pelo jornal La Repubblica sobre se teria efetivamente transferido um milhão de euros para os burlões, Moratti evitou entrar em detalhes: “É correto dizer que apresentei uma queixa. Vamos esperar pelos resultados da investigação e depois falarei.”








