França está a preparar-se para oferecer vistos de residência a migrantes ilegais que esteja no país, desde que trabalhem em setores “sob pressão”, numa altura em que o país tem dificuldades em preencher as mais de 400 mil vagas de emprego em várias indústrias, nomeadamente a construção civil.
O setor da construção tem sido particularmente afetado pela falta de mão-de-obra no país mas, sem maioria no parlamento, o governo centrista do Em Marcha! Precisa de convencer outros partidos a apoiar o plano que prevê que o acesso de migrantes ilegais a vistos de residência seja facilitado.
A revelação foi feita pelo ministro do Interior, Gérald Darmanin, em entrevista ao Le Monde. “Se um estrangeiro que está ilegal em França diz ‘Eu quero trabalhar numa profissão com falta de mão-de-obra’, o Ministério do Trabalho está a propor criar a definição de um visto de residência para ‘profissão sob pressão. Para que ele tenha proteção social adequada”, explicou Dermanin.
“Se calhar nós não oferecemos vistos de residência em número suficiente a pessoas que trabalham e cujos patrões as usam como um exército de reserva para o trabalho, como diria Marx”, continuou o ministro francês.
A medida, que ainda será apresentada pelo governo, liderado pela primeira-ministra Élisabeth Borne, surge depois de, nas últimas semanas ser fortemente debatida a expulsão de migrantes em situação ilegal em França, após o homicídio de uma menina de 12 anos, do qual a principal suspeita é uma mulher argelina sem visto de residência.
A extrema-direita da Frente Nacional, de Marine Le Pen, já arrasou a ideia do governo francês, que classificou como “uma campanha para legalizar a imigração ilegal”.
“A Frente Nacional não pode afirmar que estamos a roubar empregos aos franceses, porque estamos a falar de postos de trabalho que já estão a ser ocupados por trabalhadores que estão ilegais em frança, precisamente porque esses lugares estavam vagos”, respondeu Olivier Dussopt, ministro do Trabalho francês.
A proposta de lei do governo francês, que deverá ser votado no parlamento no início de 2023, inclui ainda outras medidas, como a renovação automática de residência para quem tem vistos de residência a longo-termo, e o direito para os requerentes de asilo de boa-fé poderem trabalhar logo que cheguem a França, em vez de terem de esperar seis meses, de acordo com a atual legislação. O governo promete também que a expulsão de imigrantes ilegais, que não estejam cobertos por nenhuma das novas medidas, vai ser acelerada – atualmente o processo pode durar até dois anos.













