França proíbe os seus atletas de usar qualquer tipo de véu islâmico nos Jogos Olímpicos de Paris

Não está ainda claro como França poderá reagir se mulheres de outros países decidirem participar nos Jogos Olímpicos de Paris com roupas muçulmanas

Francisco Laranjeira
Setembro 27, 2023
17:46

França proibiu qualquer tipo de véu islâmico para todos os seus atletas presentes nos Jogos Olímpicos, que se vão realizar em Paris, em 2024, opondo-se desta forma direta à doutrina social das Nações Unidas e do Comité Olímpico Internacional (COI), o que promete levantar forte polémico nacional e internacional.

No entanto, não está ainda claro como França poderá reagir se mulheres de outros países decidirem participar nos Jogos Olímpicos de Paris com roupas muçulmanas.

“Ninguém deve impor a uma mulher as roupas que ela pode ou deseja usar livremente. Em termos gerais, o Alto Comissariado para os Direitos Humanos opõe-se a qualquer proibição dos vários lenços islâmicos”, garantiu um porta-voz oficial das Nações Unidas. De uma forma menos rígida, o COI adotou esta como uma doutrina não oficial.

No entanto, esta quarta-feira, Amélie Oudéa-Castéra, ministra do Desporto e próxima do presidente Emmanuel Macron, respondeu a ambas as instituições internacionais: “O Governo francês deseja fazer cumprir o nosso regime de secularismo estrito. O que significa isso? Simplesmente, a proibição de todas as formas de proselitismo religioso, a neutralidade absoluta no serviço público. Assim, naturalmente, os representantes das nossas delegações e equipas não usarão qualquer tipo de véu islâmico durante os Jogos Olímpicos.”

A proibição genérica do véu islâmico inclui a burca (cobre todo o corpo e rosto, com uma malha ao nível dos olhos), niqab (cobre o rosto e deixa apenas os olhos expostos), hijab (cobre cabeça e pescoço), chador (manto que cobre todo o corpo), shayla (véu longo enrolado no pescoço), al.amira (véu de duas peças), khimar (manto que cobre véu, pescoço e ombros) e abaya (túnica completa).

Recorde-se que o Governo francês começou por proibir o uso de “sinais religiosos ostensivos” nas escolas em 2004, uma decisão que deixou marcas profundas. No final de agosto último, Emmanuel Macron ordenou a proibição da abaya nas escolas, que apesar de alguns incidentes decorreu sem grandes problemas.

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