França e Alemanha querem Ucrânia ‘simbolicamente’ dentro da UE… mas sem voto nem dinheiro total

Ucrânia poderia sentar-se à mesa das instituições europeias, mas sem direito de voto e sem acesso imediato a áreas-chave do orçamento comunitário, como subsídios agrícolas ou fundos regionais

Francisco Laranjeira

França e Alemanha estão a preparar uma nova via para aproximar a Ucrânia da União Europeia, mas sem lhe conceder de imediato todos os direitos e benefícios de um Estado-membro. O ‘Financial Times’ revela que Paris e Berlim defendem uma forma “simbólica” de integração que permitiria a Kiev participar em reuniões europeias antes da adesão plena.

Na prática, a Ucrânia poderia sentar-se à mesa das instituições europeias, mas sem direito de voto e sem acesso imediato a áreas-chave do orçamento comunitário, como subsídios agrícolas ou fundos regionais.

A proposta surge numa altura em que Kiev procura acelerar a entrada no bloco europeu, sobretudo num cenário de eventual acordo de paz com a Rússia. O presidente Volodymyr Zelensky já apontou 2027 como meta para a adesão formal.

A Alemanha defende um modelo de “adesão associada”, enquanto França prefere a designação de “estatuto de Estado integrado”. Apesar das diferenças de nome, ambos os formatos seguem a mesma lógica: aproximar a Ucrânia da UE sem concluir desde já todo o processo político, financeiro e institucional exigido para a entrada total.

Mais adiante, o ‘Financial Times’ adianta que responsáveis ucranianos acompanham as conversações com cautela. Em Kiev existe receio de que uma integração limitada acabe por substituir, na prática, a adesão plena prometida no futuro.

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A Ucrânia apresentou o pedido formal de adesão em 2022, após a invasão russa em larga escala, e recebeu estatuto de país candidato ainda nesse ano.

Desde então, o processo tem sido travado por divisões internas na União Europeia. Vários Estados-membros receiam o impacto financeiro da entrada de um país com a dimensão da Ucrânia, bem como o efeito político no equilíbrio interno do bloco.

A Comissão Europeia já estudou outros modelos de integração faseada, com acesso gradual a fundos e benefícios. No entanto, vários Governos continuam reticentes a acelerar demasiado o processo.

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Segundo o ‘POLITICO’, citado no debate europeu, muitos países opõem-se discretamente à adesão rápida da Ucrânia, mesmo apoiando em teoria a sua entrada futura.

A questão tornou-se ainda mais sensível numa fase em que a adesão à NATO parece bloqueada pela oposição dos Estados Unidos e da Rússia, levando Kiev a reforçar a aposta no caminho europeu.

Para Paris e Berlim, esta fórmula intermédia permitiria mostrar apoio político à Ucrânia e aproximá-la da UE sem abrir já todas as portas.

Para Kiev, porém, o risco é outro: entrar pela metade e ficar à espera do resto durante anos.

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