Fórum para a Competitividade estima PIB em “valores inferiores a 2%” este ano

O Fórum para a Competitividade estimou hoje uma revisão em baixa do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano “para valores inferiores a 2%”, depois dos dados do 1.º trimestre, deterioração das perspetivas internacionais e dos efeitos do apagão.

Executive Digest com Lusa

O Fórum para a Competitividade estimou hoje uma revisão em baixa do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano “para valores inferiores a 2%”, depois dos dados do 1.º trimestre, deterioração das perspetivas internacionais e dos efeitos do apagão.

“Com a deterioração das perspetivas internacionais, os dados do PIB de Portugal do 1.º trimestre, somados ao apagão, reforçam a necessidade de revisão em baixa para o PIB anual, para valores inferiores a 2%”, regista a nota de conjuntura referente a abril, hoje divulgada pelo Fórum para a Competitividade.

No mês passado, este fórum estimava um crescimento da economia para este ano entre 1,5% e 2%, após a subida de 1,9% em 2024.

Agora, e após o PIB português ter desacelerado “muito fortemente em cadeia” no primeiro trimestre, de 1,4%, para uma contração de 0,5%, os autores já admitem um crescimento abaixo de 2%. Em termos homólogos, o PIB recuou 1,2 pontos percentuais no primeiro trimestre, para 1,6%.

A revisão em baixa do teto da previsão é ainda consequência dos efeitos das tarifas aduaneiras impostas pelo Governo do Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, no início de abril.

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Suspensas na generalidade dos países por 90 dias, estas tarifas contribuíram para “dois dos piores aspetos”: uma deterioração das perspetivas internacionais e um claro aumento da incerteza.

Já a nível internacional, “um dos poucos aspetos positivos da atual conjuntura, embora pelas piores razões” prende-se com a previsão de que o Banco Central Europeu (BCE) possa continuar a trajetória de descida das taxas de juro.

O Fórum para a Competitividade antecipa que a incerteza política em Portugal se dissipe nas próximas semanas, embora as sondagens sugiram “uma grande dificuldade na constituição de um governo com apoio parlamentar maioritário”.

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Em Portugal, um dos pontos que afeta a previsão do crescimento económico é o apagão energético de dia 28 de abril.

“Admitindo uma fração reduzida de perdas não recuperáveis, teríamos uma redução do PIB do 2.º trimestre entre 0,1% e 0,2% em resultado ao apagão”, assinala.

Os autores da nota apontam que o contributo da administração pública não foi afetado em termos de contas nacionais e que na agricultura e construção as perdas “terão sido limitadas”.

Num cenário em que muitas das atividades “foram simplesmente adiadas” – como na generalidade dos consumos – e em que as empresas deverão tentar compensar a queda na produção através de horas extraordinárias ou maior rigor no funcionamento, estima-se que as maiores perdas tenham sido em alguns serviços, como a restauração.

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