Forex, Petróleo e Wall Street: O que precisa de saber neste início de semana

Ricardo Evengelista, diretor executivo da ActiveTrades, e Marco Silva , analista da corretora, explicam tudo o que precisa de saber sobre o dia de hoje no que respeita a temas como Forex, petróleo e Wall Street.

Executive Digest
Novembro 23, 2021
17:14

Ricardo Evangelista, diretor executivo da ActiveTrades, e Marco Silva, analista da corretora, explicam tudo o que precisa de saber sobre o dia de hoje no que respeita a temas como Forex, petróleo e Wall Street.

 

Forex
Ricardo Evangelista diz que o índice do dólar americano caiu durante as negociações europeias de terça-feira, tendo no início da sessão atingido o seu maior pico do ano. A força do dólar mantém-se na sequência da nomeação de Jerome Powell pelo presidente Joe Biden para um segundo mandato como presidente da Fed. O facto de Powell ter sido escolhido, em vez de Lael Brainard, que era visto como uma opção mais dovish, é um avale implícito à postura hawkish do presidente da Fed, reconhecendo o risco representado pela inflação. É provável que este cenário continue a apoiar o dólar americano, uma vez que se espera que a Fed acelere o ritmo do Tapering e defina o momento para aumentos das taxas no novo ano.

 

Petróleo
O diretor executivo da ActiveTrades explica que o WTI caiu durante as negociações de terça-feira com relatos de que vários países, incluindo os Estados Unidos, vão explorar as suas reservas estratégicas de petróleo e liberar algumas delas no mercado, de modo a diminuir o desequilíbrio entre a oferta e a procura e interromper a escalada dos preços.

 

Wall Street
Para Marco Silva é caso para dizer que esta semana, deveras importante para o andamento dos índices norte-americanos até ao final do ano, começou da melhor maneira, cheia de movimentação e com catalisadores capazes de abanar a letargia que se tinha instalado recentemente. Comecemos pelo imediato, as decisões de Joe Biden sobre a chefia do FED, que na realidade acabaram por ser um compromisso que numa primeira fase tranquiliza o mercado e deixa o que está por decidir como o ponto fulcral deste movimento de rotação de cadeiras, isto porque não obstante Biden ter mantido Powell no leme do banco central, o lugar de vice-presidente vai passar a ser ocupado por Lael Brainard.
Brainard que era a favorita para suceder ao atual presidente, está ligada ao partido democrata e a uma mentalidade mais dovish, ao contrário do cessante vice-presidente Richard Clarida que é Republicano e em termos de política monetária é ligeiramente mais neutral, menos dovish, na linha de Powell, ou seja, acabou por ser um compromisso de estabilidade, mas já a pensar na mudança, uma vez que por debaixo da cúpula de direção irão ser nomeados em dezembro três novos membros para o board, que certamente darão um toque menos dovish e mais democrata à política do banco central mais importante do mundo.
E na análise do dia, especialmente na parte final, foram evidentes os indícios de que o mercado assumiu a elevada probabilidade de haver uma ou mesmo duas subidas de juros em 2022, podendo a primeira chegar no verão, assim que terminar a redução do programa de compras de ativos. Foi por isso que as tecnológicas deslizaram na última hora da sessão para uma perda de -1.26%, um movimento que foi o inverso da ação nos juros das obrigações soberanas dos EUA, que na maturidade a dez anos terminaram nos 1.64%, tendo ganho terreno progressivamente desde o início até ao final, e sabendo que as tecnológicas sofrem com o aumento dos juros o resultado acabou por ser natural.
Mas se o trabalho do FED em tempos de pandemia foi complicado, a próxima fase promete ser ainda mais difícil, visto que nos próximos meses terá de estimular a economia ao mesmo tempo que controla a corrida desenfreada da inflação, portanto não pode ser muito dovish nem hawkish, será um trabalho muito minucioso que envolve preparar os investidores para as decisões a tomar, mas com menos tempo para esse trabalho importante no sentido de evitar uma convulsão acentuada em Wall Street, que pode ir de um extremo ao outro num curto espaço de tempo se o sentimento de confiança for abalado.

 

 

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