A Ucrânia continua a controlar uma parte significativa da região de Kursk, na Rússia, apesar dos esforços do Kremlin para afastar as suas tropas, de acordo com uma declaração recente de Christopher Cavoli, general do Exército dos Estados Unidos e comandante do Comando Europeu dos EUA. Durante uma audiência no Congresso norte-americano, Cavoli confirmou que as forças ucranianas não só mantêm o controlo sobre território russo, como também ampliaram a sua presença na região vizinha de Belgorod.
Na intervenção, Cavoli afirmou que “há uma força considerável a manter uma porção significativa—diminuída, mas significativa—de território dentro da região de Kursk da Rússia neste momento. E eles estão mantendo ótimas posições defensivas a sul, em Belgorod”. O general também mencionou que, nas últimas semanas, as tropas ucranianas realizaram uma contraofensiva em Belgorod, “reconquistando um pequeno território dentro da Rússia”.
Esta é a primeira confirmação oficial de que as tropas ucranianas entraram na região de Belgorod, embora o exército ucraniano ainda não tenha confirmado de forma oficial essa presença. No entanto, a Ucrânia tem frequentemente relatado ataques aéreos na região, o que dá indícios de atividades militares ucranianas nesse território.
Embora Cavoli não tenha especificado a extensão exata do território controlado pela Ucrânia em Kursk, um projeto de monitoramento militar chamado DeepState OSINT estimou que as forças de Kiev ainda mantêm cerca de 140 quilómetros quadrados desta região, dos 1.300 originalmente tomados durante uma ofensiva surpresa no verão passado.
Preparação para a defesa e reforço das tropas ucranianas
Em relação à situação militar no campo de batalha, Cavoli avaliou que o exército ucraniano agora se encontra em posições defensivas fortes, com uma capacidade de recrutamento e treino de novos soldados que tem melhorado semanalmente. “É difícil, neste momento, visualizar uma grande ofensiva ucraniana que expulse todos, sabe, de cada centímetro da Ucrânia. Mas igualmente, é muito difícil imaginar uma queda da Ucrânia e uma derrota neste conflito”, afirmou Cavoli, acrescentando que não acredita que a derrota ucraniana seja inevitável. “Eles estão numa posição muito melhor do que estavam”, completou.
Soluções ucranianas para problemas de pessoal e desafios russos
Cavoli também comentou sobre a evolução dos problemas de recrutamento da Ucrânia, que eram particularmente graves no outono passado. Segundo o general, a Ucrânia conseguiu aumentar o número de pessoas disponíveis para recrutamento voluntário, ao mesmo tempo em que tem deslocado efetivos de comandos para a linha de frente. O general também destacou que a Ucrânia tem feito uso de drones de ataque unidirecionais e sistemas de mísseis de cruzeiro produzidos localmente para complementar suas forças.
Por outro lado, Cavoli mencionou que as forças russas enfrentam desafios significativos em termos de falta de veículos blindados e de pessoal. “Os ucranianos aumentaram a disponibilidade de pessoas para recrutamento voluntário. E fizeram um bom trabalho em deslocar pessoal de comandos para a linha de frente”, afirmou. “Eles estão tentando vencer. Querem começar por garantir que a Rússia não vença”, concluiu o general.
O comandante também avaliou o andamento da guerra e indicou que, apesar das dificuldades, a Ucrânia continua a demonstrar uma resiliência significativa. As forças ucranianas parecem estar a ultrapassar as dificuldades logísticas e de recrutamento que enfrentaram anteriormente, e, embora o cenário de uma vitória completa sobre as forças russas ainda pareça distante, a situação atual indica que a Ucrânia está longe de estar derrotada.
A luta continua e, enquanto o Kremlin tenta restaurar o controlo sobre as regiões invadidas, a Ucrânia mantém sua posição estratégica, avançando e reforçando as defesas, enquanto prepara o terreno para eventuais novas ofensivas.









