Entre janeiro e abril de 2026 foram constituídas 19.503 novas empresas em Portugal, o que representa uma descida de 4,6% face ao mesmo período do ano passado (-944 constituições), segundo o Barómetro da Informa D&B. Apesar de um arranque positivo em janeiro, os três meses seguintes registaram quebras sucessivas na criação de empresas.
O comportamento negativo é transversal à maioria dos setores de atividade, com duas exceções: Construção e Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), que continuam a crescer.
O setor da Construção registou um aumento de 7,7% na criação de novas empresas (+203 constituições), consolidando uma trajetória de crescimento iniciada em 2020. O desempenho é sustentado pela procura de habitação e reabilitação urbana, bem como por oportunidades no mercado imobiliário.

Já as TIC cresceram 8,4% (+112 constituições), com destaque para as atividades de informática.
Na oposição, o setor da Agricultura e outros recursos naturais apresentou a maior descida, com uma quebra de 37% (-283 constituições). Dentro deste segmento, as atividades de agricultura e pecuária recuaram 42%, com impacto mais significativo nos distritos de Beja, Braga e Viseu.
Também o Retalho (-13%; -226 constituições) e os Transportes (-15%; -217 constituições) registaram quedas relevantes.
Encerramentos descem, mas há sinais de pressão em algumas áreas
Entre janeiro e abril de 2026 encerraram 3.736 empresas em Portugal, uma descida de 24% (-1.165 encerramentos) face ao mesmo período de 2025.
No acumulado dos últimos 12 meses (maio de 2025 a abril de 2026), foram registados 14.298 encerramentos, menos 8,7% do que no período homólogo, refletindo uma tendência global de abrandamento das dissoluções empresariais.
A descida foi transversal a quase todos os setores, com destaque para o Retalho (-16%; -342 encerramentos). Ainda assim, algumas atividades registaram aumentos expressivos, como o retalho não especializado por correspondência ou via internet (+228%; +114 encerramentos) e a fabricação de calçado (+37%; +33 encerramentos).
Insolvências sobem 7,8% e quebram tendência do ano anterior
Em sentido contrário ao ano passado, as insolvências voltaram a subir. Entre janeiro e abril de 2026 registaram-se 701 novos processos de insolvência, mais 7,8% (+51 casos) do que no período homólogo.
O aumento foi mais expressivo na Construção (+28%; +20 insolvências) e nas Indústrias (+14%; +20 insolvências), com destaque para a indústria têxtil e da moda (+21%; +14 insolvências).












