Há dois inspetores da Polícia Judiciária na mira da Justiça na sequência do caso Football Leaks, segundo revelou esta terça-feira o jornal ‘Público’. Os juízes que se encontram a julgar o hacker Rui Pinto remeteram para o DIAP (Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa) um pedido de investigação por suspeitas de eventuais práticas dos crimes de falsidade de documento, abuso de poder, falsidade de testemunho, violação do segredo de Justiça e falsificação de documento.
Em causa estão os inspetores Hugo Monteiro e José Amador. O primeiro é suspeito de ter prestado sob juramento depoimentos contraditórios em diferentes momentos do julgamento. O segundo, que liderou a equipa responsável pela investigação que culminou na detenção de Rui Pinto em Budapeste, na Hungria, é suspeito de ter falsificado uma ficha biográfica sua e de ter partilhado informações em segredo de justiça com o advogado Pedro Henriques.
Somam já quatro os inspetores que foram alvo de extração de certidões no caso Football Leaks.
Rui Pinto, de 33 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.
O criador do Football Leaks encontra-se em liberdade desde 7 de agosto de 2020, “devido à sua colaboração” com a Polícia Judiciária (PJ) e ao seu “sentido crítico”, mas está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.





