Xavier Viegas, professor da Universidade de Coimbra e especialista em incêndios florestais, está a acompanhar os fogos que têm afetado o território australiano nas últimas semanas com muita preocupação. O receio por um agravamento das condições, como explica, deve-se ao verão, que, nesse lado do hemisfério, ainda está a começar. No entanto, já arderam cerca de cinco milhões de hectares e mais de 1.400 casas.
Apesar da força destes incêndios, a situação é comum em solo australiano. “Lembro-me concretamente de 2009; houve um incidente que durou praticamente um dia em que morreram 180 pessoas”, recorda o professor universitário, ouvido pela TSF.
“Este ano a contagem já vai em 23 pessoas. Tem sido noticiado como o pior ano em termos de vítimas mortais na Austrália, mas de facto não é (…) está é a ser muito pior em termos de área afetada”, acrescenta.
Esta é uma situação que se pode repetir em vários pontos do globo, inclusivamente em Portugal, que já presenciou exemplos de como o fogo pode ser devastador. E com as alterações climáticas a acentuarem-se, tudo se torna ainda mais imprevisível, alerta o investigador. Portugal não está imune, e muito menos preparado, defende Xavier Viegas.
“As condições climatéricas infelizmente estão a mudar, e aquilo que o futuro nos pode trazer será numa escala diferente daquela a que estamos habituados.”
E, segundo o docente, os governos portugueses continuam sem saber como lidar com estes problemas. “Aquilo que os australianos já aprenderam – há uns anos, instituíram um nível de risco catastrófico, o nível seis – ainda não foi compreendido por nós, que também já vivemos dias de condições muito alarmantes”, argumenta.
Na perspetiva de Xavier Viegas, é urgente que Portugal se prepare para “enfrentar esses dias e fazer o que tem de ser feito nessas alturas”.














