FMI critica criptoativos por gerarem “instabilidade financeira” em economias com inflação galopante

 O advento dos criptoativos nos mercados emergentes pode prejudicar a estabilidade financeira das economias locais, minando os controlos cambiais e de capital, alertou esta sexta-feira o Fundo Monetário Internacional na sexta-feira.

Fábio Carvalho da Silva

 O advento dos criptoativos nos mercados emergentes pode prejudicar a estabilidade financeira das economias locais, minando os controlos cambiais e de capital, alertou esta sexta-feira o Fundo Monetário Internacional na sexta-feira.

O FMI aclarou uma situação que tem sido constante sobretudo em Estados cuja a inflação é galopante. Para a instituição internacional, “as políticas macroeconómicas inadequadas e a ineficiência dos sistemas de pagamento são os principais motores da adoção de criptomoedas”.

A entidade liderada por Kristalina Georgieva comparou este fenómeno ao da “dolarização”, que ocorre quando uma moeda estrangeira – normalmente o dólar – substitui ou coabita com uma moeda nacional, para combater a inflação.

A instituição exortou ainda os governos e bancos centrais das nações em desenvolvimento a fortalecerem as políticas macroeconómicas e a considerar os possíveis benefícios da emissão de moedas digitais do banco central (CBDC na sigla anglo-saxónica), como uma resposta ao aumento da criptografia.

Um exemplo claro do fenómeno descrito pelo FMI é a Turquia. Depois do colapso de duas plataformas turcas de criptomoedas, a Vebitcoin e Thodex, esta última com o maior volume de negócios do país, Erdogan não gostou do sucedido e prometeu combater o que considera serem “esquemas em pirâmide”, através de uma legislação pesada, de acordo com uma fonte anónima contactada pela Bloomberg.

Continue a ler após a publicidade

O Executivo turco está a ponderar a criação de uma espécie de “Banco Central que proteja os utilizadores destas plataformas do risco associado ao mercado de criptoativos”. Ancara quer ainda “estabelecer limites monetários para o mercado de câmbio de moedas digitais e exigir determinados requisitos de educação para que alguém se possa tornar CEO de uma empresa ligada a este tipo de negócio”.

Só nas últimas 24 horas foram realizadas na Turquia transações avaliadas em 1,6 mil milhões de dólares (1,33 mil milhões de euros) em várias plataformas de criptomoedas, uma forma de combater a inflação da Lira, a moeda oficial do país. Neste momento, uma lira turca vale 0,097 cêntimos.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.