O Fundo Monetário Internacional (FMI) reconhece que a anunciada suspensão da atividade da Mozal, a maior indústria moçambicana e uma das maiores fundições de alumínio em África, representa um risco para a economia de Moçambique.
A posição, que surge num relatório de avaliação do FMI à economia moçambicano no âmbito das consultas regulares, aprovado em 13 de fevereiro, refere que os “riscos” para as perspetivas económicas de Moçambique são atualmente “fortemente negativos”, dando como exemplo a Mozal, que representa 4% do Produto Interno Bruto (PIB).
Entre os riscos externos que Moçambique enfrenta, segundo o FMI, incluem-se “pandemias, desastres naturais, conflitos regionais, reduções da ajuda externa e volatilidade dos preços das matérias-primas”, enquanto os riscos internos “incluem o aumento da insegurança” em Cabo Delgado, que “pode atrasar” os projetos de Gás Natural Liquefeito (GNL), “a escassez de divisas e o fraco desempenho do setor não relacionado com a mineração”.
“As negociações em curso sobre as tarifas de eletricidade com a Mozal representam riscos adicionais. Os riscos positivos incluem a produção de GNL antecipada em relação ao esperado no projeto Coral Norte da Eni”, lê-se na mesma posição, que também acrescenta que as “vulnerabilidades fiscais podem intensificar-se devido às pressões sobre as despesas e aos prejuízos das empresas estatais”
“O que complica o refinanciamento da dívida interna”, alerta a avaliação do FMI, que prevê que a economia moçambicana tenha crescido 0,5% em 2025, contra 2,1% no ano anterior.
A central sindical moçambicana OTM alertou sexta-feira que a suspensão da atividade da Mozal representa um “terramoto”, devido ao peso na economia nacional e aos despedimentos.
“A concretizar-se este prenúncio, estaremos perante uma espécie de terramoto nacional, cuja magnitude sentiremos logo na hora, uma vez que esta multinacional contribui significativamente para o PIB [Produto Interno Bruto], com aproximadamente 4%, sendo uma das maiores indústrias no país, impulsionando as exportações e gerando milhares de empregos diretos e indiretos”, afirmou o secretário-geral da Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical (OTM-CS), Damião Simango.
O aviso surge depois de a Mozal ter comunicado este mês ao comité sindical da empresa a intenção de avançar com um despedimento coletivo, no âmbito da suspensão da atividade prevista para 15 de março, devido ao diferendo em torno das tarifas de energia elétrica a fornecer à fundição de alumínio.
A Lusa noticiou em 12 de fevereiro que a Mozal vai avançar com um despedimento coletivo, no âmbito da suspensão da atividade em março, conforme comunicação feita ao comité sindical da empresa de fundição, que emprega diretamente mais de mil trabalhadores.
Em causa, segundo o documento enviado este mês ao comité sindical, está o “processo de consulta de despedimento coletivo” e respetivo pacote de indemnizações, no âmbito do diferendo em torno do fornecimento de energia à fundição.
A australiana South32 garantiu no mesmo dia que vai suspender, em 15 de março, a atividade da fundição de alumínio Mozal, apesar das tentativas do Governo para ultrapassar o diferendo, sobre tarifas de energia.
“Passará para o regime de manutenção e conservação em março de 2026 devido à impossibilidade de garantir um fornecimento de energia elétrica suficiente e acessível”, disse Graham Kerr, diretor-executivo da South32, principal acionista da Mozal.
A South32 admitiu continuar a dialogar com o Governo, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e a energética sul-africana Eskom para garantir o fornecimento de “eletricidade suficiente e acessível” até à suspensão em março, quando o acordo atual expira.
A Mozal compra quase metade da energia produzida em Moçambique, essencialmente pela HCB.
Em 18 de agosto, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, afirmou que as tarifas de energia propostas pela Mozal levariam ao colapso da HCB.












