O operador de distribuição de gás Floene alertou hoje para “efeitos adversos” de uma limitação excessiva do investimento no setor, no âmbito do plano de desenvolvimento e investimento das redes de distribuição de gás (PDIRG-D 2026).
Num comunicado, a Floene disse que tal limitação “poderá conduzir ao aumento dos custos suportados pelos consumidores de gás e pelos consumidores de eletricidade, devido às necessidades acrescidas de eletrificação dos consumos atualmente assegurados pela rede de gás”.
Por isso, a Floene considera que “a análise económica deve centrar-se na procura das soluções mais eficientes para a descarbonização, valorizando o contributo de uma infraestrutura de gás preparada para integrar gases renováveis e complementar o sistema elétrico”.
Os operadores das redes de distribuição de gás propõem investir 406,8 milhões de euros entre 2027 e 2031, anunciou a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), que colocou os planos em consulta pública, em 23 de junho.
Em comunicado, nesse dia, o regulador referiu que as propostas dos planos quinquenais de desenvolvimento e investimento das redes de distribuição de gás para o período 2027-2031, designadas PDIRD-G 2026, foram apresentadas pelos 11 operadores das redes de distribuição.
“O investimento em desenvolvimento e expansão apresentado pelos operadores do Grupo Floene corresponde ao nível mínimo necessário para manter a rede a funcionar de forma eficiente, garantir os recursos indispensáveis à sua operação e cumprir as obrigações legais associadas ao serviço prestado aos consumidores”, assegura agora a empresa.
Na nota, a Floene disse que “perante estratégias distintas e níveis de investimento diferenciados entre operadores”, o grupo entende que “não é adequado aplicar recomendações uniformes de redução do investimento, defendendo antes que as decisões sobre investimento tenham em conta a realidade de cada rede e não uma regra igual para todos”.
A Floene sublinhou ainda que “a infraestrutura de gás existente constitui um ativo estratégico para o país”, apontando que se trata de “uma rede já significativamente amortizada” e “tecnicamente preparada para transportar gases renováveis”, que permite “descarbonizar consumos com um investimento adicional substancialmente inferior ao necessário para uma substituição integral por soluções exclusivamente elétricas”.
A Floene defende que “a coexistência entre os sistemas elétrico e de gás representa a resposta mais prudente e economicamente eficiente”, nomeadamente num cenário de crescimento da procura energética.
Paralelamente, para o operador não existe evidência que “suporte uma redução significativa da procura de gás”, indicando que “mesmo num cenário conservador, estima-se que a diminuição do consumo até 2040 seja inferior a 2%, valor que poderá inclusive sobrestimar a redução efetiva”.
“Assumir uma quebra do consumo sem fundamentos sólidos pode levar a decisões erradas sobre os investimentos necessários na rede”, alertou.
A sociedade disse ainda que os investimentos propostos pelos operadores de rede de distribuição do Grupo Floene “refletem uma abordagem prudente, incremental e centrada na melhor utilização da rede já existente”, e “não correspondem a uma lógica expansionista, apesar de persistirem 68 concelhos sem acesso ao gás nas áreas de concessão do grupo”.














