“Fizemos um trabalho notável”. “Mercados do carvão e gás deviam copiar atuação da OPEP+”, defendem Rússia e Arábia Saudita

 A estabilidade do petróleo em relação ao gás natural e ao carvão sublinha que a OPEP+ está a fazer um bom trabalho para equilibrar a oferta e a procura, defenderam esta quinta-feira os ministros da Energia da Arábia Saudita e da Rússia.
Embora o crude tenha subido para um máximo de três anos acima dos 80 dólares por barril, o aumento “não foi nada, quando comparado com a volatilidade observada com os preços do gás e do carvão”, disse na quinta-feira o ministro da Energia saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman.
O governante reiterou que a OPEP+, liderada por Riade e Moscovo, vai manter aumentos graduais da produção, apesar dos apelos de muitos comerciantes e até da Casa Branca para que a organização acelere a produção de barris.
“Fizemos um trabalho notável”, congratulou Alexander Novak durante uma conferência, no âmbito da Semana da Energia russa. “Os mercados do gás, do carvão, e outras fontes de energia precisam de um regulador. Esta situação está a dizer-nos que as pessoas precisam de copiar e colar o que a OPEP fez”, defendeu.
Os futuros do gás na Ásia e na Europa dispararam mais de 150% desde o final de junho, enquanto o carvão duplicou.

A OPEP, que mantém limitado o seu fornecimento de petróleo no meio do aumento dos preços da energia, reviu ontem ligeiramente em alta a procura mundial de petróleo em 2021 e 2022.

No relatório mensal sobre o mercado petrolífero, a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) atualizou a estimativa da procura para 27,8 e 28,8 milhões de barris por dia em 2021 e 2022 respetivamente, mais 100.000 do que o calculado em setembro.

Ambos os números são superiores ao fornecimento conjunto do grupo petrolífero, que era de 27,33 milhões de barris por dia em setembro, mais 486.000 barris por dia do que em agosto, de acordo com cálculos de institutos publicados no documento.

A organização continuará a abrir as torneiras, mas de forma moderada e gradual, como acordado com a Rússia e outros aliados.

O atual pacto da aliança OPEP+ prevê aumentar a oferta em 400.000 barris por dia por mês até setembro de 2022, e o relatório dá a entender que esta política irá continuar.

“Enquanto os mercados petrolíferos continuam a emergir da pandemia da covida-19”, a OPEP+ continuará a “monitorizar” o mercado, afirma a OPEP depois de enumerar vários fatores de incerteza “com riscos de queda” do consumo e dos preços do petróleo bruto em 2022.

“Olhando para o futuro, apesar das expectativas de uma recuperação sazonal na procura de petróleo para aquecimento, bem como de uma possível mudança do gás natural para combustíveis líquidos, espera-se que os mercados de produtos (petrolíferos) sofram alguma fraqueza durante o próximo inverno”, diz a OPEP.

Isto seria causado por “um maior rendimento das refinarias, que resultará num amplo abastecimento”, acrescenta.

Quanto à procura mundial total de petróleo, espera-se que este ano atinja uma média de 96,6 milhões de barris por dia, mais 5,96 milhões de barris por dia que em 2020 e menos 140.000 biliões de barris por dia do que o estimado há um mês.

Esta revisão em baixa deve-se ao facto de os dados dos três primeiros trimestres do ano terem sido “inferiores ao esperado”, dizem os peritos da organização.

Os peritos da OPEP esperam que a recuperação do consumo de petróleo continue em 2022 com um aumento anual de 4,15 milhões de barris por dia, para uma média de 100,8 milhões de barris por dia e reveem também em baixa o volume da oferta dos seus concorrentes, o que explica o aumento da procura do petróleo bruto do grupo petrolífero, principalmente devido a perturbações na produção dos EUA causadas pelo furacão Ida, e nos campos do Cazaquistão e do Canadá por diversas razões.

No total, os produtores não-OPEP fornecerão 63,85 milhões de barris por dia este ano, menos 0,21 milhões de barris por dia do que o estimado no último relatório, e 66,79 milhões de barris por dia em 2022.

Putin quer ajudar a combater a crise de gás na Europa

O presidente russo Vladimir Putin, afirmou estar disposto a aumentar as exportações para a Europa tanto quanto necessário para ajudar o continente a enfrentar a atual crise.

“Se nos pedirem para aumentar (as exportações) ainda mais, estamos dispostos a fazer isto”, declarou o chefe de Estado durante um fórum sobre energia em Moscovo. “Aumentaremos (as exportações) assim que os nossos parceiros nos peçam”, acrescentou.

Para Putin  é “muito importante” estabilizar o mercado de gás, que enfrenta uma crise sem precedentes, sobretudo na Europa. O presidente reivindicou “um mecanismo de estabilização a longo prazo do mercado de energia, o que é muito importante face à situação atual”.

De acordo com o Presidente russo, os Estados europeus, para os quais a Rússia fornece um terço do gás que consomem, se “cometeram um erro ao delegar o poder à mão invisível que rege o mercado” , em vez de multiplicar nos últimos anos os contratos a longo prazo com Moscovo.

“Se há uma procura (adicional), esta só poderá ser atendida com novas condições contratuais”, afirmou nesta quarta-feira o ministro da Energia da Rússia, Nikolai Chulguinov.

Depois de semanas de aumento do preço do gás, Putin anunciou no início de outubro que esperava um “possível aumento” do fornecimento de gás para a Europa, para ajudar a estabilizar os preços

Esta notícia surge ainda na mesma altura em que a Comissão Europeia pondera adotar um modelo de compra conjunta de ‘stocks’ de gás, entre os 27 Estados-membros de forma a evitar a escassez no futuro, como está a acontecer neste momento.

 

 

 

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