A Finlândia vai mobilizar reservistas voluntários para reforçar a vigilância do seu espaço aéreo e melhorar a capacidade de deteção de drones, após a queda de quatro aparelhos ucranianos no seu território durante o mês de março. A decisão foi anunciada pelas Forças de Defesa finlandesas, num contexto de crescente tensão regional associada à guerra entre a Ucrânia e a Rússia.
Os incidentes ocorreram pouco depois de Kiev ter lançado uma ofensiva com drones contra infraestruturas petrolíferas russas no mar Báltico. As autoridades finlandesas acreditam que os aparelhos terão entrado no seu território por engano, alegadamente devido a interferências russas nos sinais de GPS.
O Exército finlandês não revelou o número de efetivos que serão mobilizados nem a duração prevista da missão, invocando razões de “segurança operacional”. Em comunicado, as Forças de Defesa indicaram que irão convocar “o número de reservistas que considerem necessário” e pelo tempo que se revele indispensável.
Os reservistas voluntários receberão formação específica para colaborar com os militares no ativo em tarefas de vigilância aérea e proteção da integridade territorial em todo o país.
Apesar da mobilização, as autoridades sublinham que não existe, neste momento, qualquer ameaça militar direta contra a Finlândia. Segundo as Forças de Defesa, os incidentes com drones ucranianos estão relacionados com a “legítima defesa da Ucrânia face à agressão ilegal da Rússia”.
O chefe adjunto do Estado-Maior de Operações do Comando de Defesa, Aki Heikkinen, reconheceu que o contexto de segurança pode alterar-se rapidamente. “As mudanças no ambiente de segurança podem ser rápidas e a sua duração, imprevisível. É compreensível que os acontecimentos recentes no ambiente de segurança da Finlândia, como os incidentes com drones, possam gerar preocupação”, afirmou.
Heikkinen acrescentou que, “através de exercícios de atualização voluntários, aproveitaremos as competências dos reservistas conforme a situação o exigir, além de garantir um número suficiente de pessoal caso a situação se prolongue”.
Quatro drones despenharam-se perto da fronteira russa
No final de março, as autoridades finlandesas encontraram os destroços de três drones ucranianos nos municípios de Kouvola, Luumäki e Parikkala, todos situados nas proximidades da fronteira com a Rússia.
Na semana seguinte, foi descoberto um quarto aparelho numa zona florestal do município de Iitti, no sudeste do país. A carga explosiva deste drone foi detonada de forma controlada pelas autoridades.
De acordo com as investigações preliminares, os quatro drones terão caído em datas próximas e terão penetrado no espaço aéreo finlandês por erro de navegação, possivelmente causado por interferências russas nos sistemas de posicionamento por satélite (GPS).
Os incidentes registaram-se pouco depois de a Ucrânia ter lançado ataques com drones contra os portos petrolíferos russos de Primorsk e Ust-Luga, no mar Báltico.
Ucrânia ataca quatro instalações energéticas russas
Entretanto, o Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia anunciou este fim de semana novos ataques contra infraestruturas energéticas russas, alegando ter provocado incêndios em quatro instalações ligadas ao setor petrolífero.
“Unidades das Forças de Defesa da Ucrânia atacaram simultaneamente quatro importantes instalações do setor petrolífero da Federação Russa”, indicou o Estado-Maior numa publicação na rede social Facebook, acrescentando que “foram registados incêndios”.
Segundo o comunicado, dois dos incêndios ocorreram em refinarias na região de Samara, no sudeste de Moscovo. Outros dois deflagraram numa terminal de carregamento de petróleo na região de Leningrado, no noroeste da Rússia, e numa estação de bombagem na região de Krasnodar, no sudoeste do país.
“Está a ser determinada a magnitude dos danos causados”, referiu o Estado-Maior ucraniano, sublinhando que “todas estas instalações participam no abastecimento das forças armadas dos ocupantes russos”.
Andrí Kovalenko, responsável pelo Centro de Luta contra a Desinformação da Ucrânia, confirmou que um dos ataques teve como alvo uma refinaria na cidade de Syzran, situada a cerca de mil quilómetros do território ucraniano.
Segundo o portal digital Ukrainska Pravda, o ataque a Syzran foi realizado com drones e, de acordo com “análises preliminares”, o incêndio “deflagrou junto de um parque de tanques de armazenamento da refinaria”.






