Finlândia alerta que Rússia vai reforçar a fronteira com a NATO se houver acordo de paz na Ucrânia

A Finlândia avisou que a Rússia poderá deslocar forças militares para a fronteira oriental da NATO caso seja alcançado um acordo de paz na Ucrânia, num alerta lançado pelo primeiro-ministro finlandês, Petteri Orpo.

Pedro Zagacho Gonçalves

A Finlândia avisou que a Rússia poderá deslocar forças militares para a fronteira oriental da NATO caso seja alcançado um acordo de paz na Ucrânia, num alerta lançado pelo primeiro-ministro finlandês, Petteri Orpo. O governante explicou que, mesmo após a cessação das hostilidades, “sabemos que a Rússia continuará a ser uma ameaça e é evidente que irão mover as suas forças militares para perto das nossas fronteiras e da fronteira do Báltico”, sublinhando a necessidade de solidariedade europeia para apoiar os países da linha da frente, que têm aumentado significativamente os seus gastos com defesa.

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Orpo destacou que estes Estados, incluindo Estónia, Lituânia e Polónia, preveem gastar mais de 5% do seu PIB em defesa no próximo ano, ultrapassando as metas de gastos definidas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, enquanto outros países da linha da frente também reforçam os seus orçamentos militares. Segundo o primeiro-ministro finlandês, “é claro que precisamos de apoio financeiro de Bruxelas”, lembrando que a Europa deve preparar-se para assumir a sua própria defesa à medida que os Estados Unidos começam a reduzir o seu envolvimento no continente devido a outras prioridades de segurança.

A Finlândia mantém elevados níveis de preparação, com programas civis de proteção, abrigos antiaéreos, reservas estratégicas de materiais críticos e formação de jovens e elites militares. Contudo, o país enfrenta uma crise económica prolongada que tem levado o governo a cortar na despesa pública e a gerir uma dívida crescente. Orpo afirmou que os países da linha da frente não estão apenas interessados nos 1,5 mil milhões de euros já disponíveis da União Europeia para projetos militares, mas também em uma parte significativa dos cerca de 130 mil milhões de euros previstos para defesa no próximo período orçamental.

Na terça-feira, a Finlândia organizará a primeira cimeira dos países da linha da frente da NATO, reunindo oito Estados que partilham fronteira terrestre ou marítima com a Rússia e Bielorrússia. O objetivo da reunião é adotar capacidades militares comuns em áreas como defesa aérea, drones e forças terrestres, bem como definir estratégias para o deslocamento de armamento e tropas pelo continente. Orpo salientou que, caso a Europa não demonstre rapidamente o seu compromisso com a defesa e o apoio à Ucrânia, existe o risco de que alguns países mais afastados da linha da frente subestimem a ameaça russa após um eventual acordo de paz, afirmando que “esta é uma semana crucial para mostrar que a Europa não é apenas boa a falar, mas também a agir em relação à paz na Ucrânia”.

A cimeira da União Europeia, prevista para quinta-feira, será decisiva para o apoio financeiro a Kiev, incluindo a utilização de ativos russos congelados e a discussão de um acordo comercial com países da América Latina. Orpo explicou que os líderes europeus, liderados pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, têm trabalhado intensamente para encontrar soluções, mas que agora “é tempo de tomar uma decisão”. Questionado sobre o que aconteceria caso a cimeira não resultasse em apoio financeiro, o primeiro-ministro finlandês declarou que “não quero pensar nisso, porque não temos outras opções”.

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