Fim da situação de alerta? Especialistas estão contra e pedem “calma”. Casos estão a aumentar e novas variantes ainda podem ressurgir

A declaração de situação de alerta devido à pandemia de Covid-19 termina às 23h59 desta quinta-feira, dia 5 de maio, se até lá não for prolongada novamente pelo Governo, como tem acontecido sucessivamente desde 17 de fevereiro deste ano, em que houve cinco renovações. 

Simone Silva

A declaração de situação de alerta devido à pandemia de Covid-19 termina às 23h59 desta quinta-feira, dia 5 de maio, se até lá não for prolongada novamente pelo Governo, como tem acontecido sucessivamente desde 17 de fevereiro deste ano, em que houve cinco renovações.

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Contudo – e apesar de já não vigorarem quase restrições nenhumas (as últimas foram levantadas no final de abril) – especialistas ouvidos pela Multinews consideram que o regime deve manter-se, devido ao atual aumento de casos e à possibilidade de ressurgirem novas variantes, lembrando que “a pandemia ainda não acabou”.

“Nós neste momento estamos a verificar uma situação de perto de 10 mil novos casos diários, ainda temos uma mortalidade acima do limite do limiar definido pelo ECDC, 20 por milhão de habitantes, por isso acho que faz sentido pelo menos manter a situação de alerta em vigor”, refere Filipe Froes, pneumologista e membro do Gabinete de Crise da Ordem dos Médicos.

Da mesma opinião é Henrique Oliveira, investigador do Instituto Superior Técnico. “Neste momento sou contra o levantamento da situação de alerta, enquanto o efeito (da retirada) das máscaras ainda não estiver esclarecido. O Rt começou a subir muito na terça-feira, já a disparar acima de 1 e isso tem que ver com o efeito das máscaras”, sublinhou.

“A pandemia ainda não acabou, a Organização Mundial da Saúde (OMS) não declarou o seu fim, de modo que temos que esperar com calma”, acrescentou, adiantando que se prevê “que os casos comecem já a subir por estes dias, apesar de não ser um aumento exponencial, e dentro de três semanas voltem a baixar, mas isto é o que dizem os modelos, temos de ir avaliando”.

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Novas variantes devem ser vigiadas 

Outro dos motivos que leva os peritos a pedir prudência, é a possibilidade de ressurgimento de novas variantes – como as sublinhagens BA.4 e BA.5 -que estão a conseguir fugir aos anticorpos originados por uma infeção com a BA.1 e a BA.2, duas das subvariantes iniciais da Ómicron, causando uma nova vaga em alguns países do mundo, como a África do Sul.

“Temos de perceber a importância da monitorização virológica, epidemiológica e clínica. Nós neste momento estamos a assistir ao desenvolvimento de novas variantes, sobretudo em países que estão no hemisfério sul em época de inverno”, sublinha Filipe Froes, adiantando que “podem facilmente disseminar-se para outras regiões do mundo, como o hemisfério Norte e a Europa”.

A “principal preocupação” do pneumologista, aponta, “é precisamente perceber que aquilo que está agora a acontecer no hemisfério sul no inverno, pode também acontecer no hemisfério norte no inverno”, ou seja, a partir de setembro/outubro.

“Felizmente não estão associadas a um acréscimo de mortalidade, mas podem estar associadas a uma maior evasão imunológica, o que significa que podemos ter um novo acréscimo de casos”, alerta, lembrando ainda que “na Europa há neste momento um conflito armado que também potencia uma maior capacidade de disseminação da doença”.

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No mesmo sentido, Henrique Oliveira sublinha que “de 120 em 120 dias aparece uma nova variante, é impressionante essa regularidade e estão a aparecer novamente novas variantes, que são sempre preocupantes”, ainda mais porque “neste momento sem medidas nenhumas é impossível que elas não se espalhem”, alerta.

“Uma doença contagiosa espalha-se pelo mundo inteiro, por isso temos de ficar alertas”, refere o investigador do Técnico, ressalvando, contudo, que o perigo reside em muitas situações e o receio deve ser controlado. “Também é preocupante aparecer uma hepatite ou um terramoto e nós não podemos viver enterrados no medo”, aponta.

Mas o que podemos então fazer para continuar a viver em “normalidade”, sem descurar das possíveis consequências? “Temos que estar atentos e prepararmo-nos para este cenário (de ressurgimento de variantes), para quando chegar a nossa vez sabermos agir”, adianta Filipe Froes.

“Temos de manter a vigilância, provavelmente preparar uma nova vacina mais adaptada às novas variante – com melhor efetividade do que anterior e sobretudo maior duração de resposta – e, eu anteciparia provavelmente a administração da quarta dose à população mais vulnerável, de imediato, a partir do momento em que as pessoas tivessem tomado a terceira vacina há mais de 4, 5 meses”, conclui.

O que implica a situação de alerta?

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A situação de alerta é a menos grave das três (calamidade e emergência). Significa que “os meios de proteção civil e as forças e serviços de segurança estão em prontidão” para restabelecer a ordem pública.

A par disso, o Governo também fica com poderes alargados para fazer face a um “acidente grave e catástrofe”, sendo que todas as decisões e atos legislativos produzem efeitos imediatos.

Não há qualquer restrição na liberdade de circulação das pessoas — embora a recomendação das autoridades seja sempre a de evitar o contacto social, ficando em casa, procurando conter a propagação do vírus.

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