Fim da moratória da habitação dita incumprimento no consumo, alerta ASFAC

Duarte Gomes Pereira, presidente da Associação de Instituições de Crédito Especializado (ASFAC), prevê que o número de pessoas a falhar os seus pagamentos possa aumentar quando tiverem de suportar novamente a prestação da casa com o fim da moratória pública em setembro.

“O incumprimento não foi de todo relevante. Não tivemos um grau de incumprimento superior àquele que se verificava nos períodos pré-moratória”, afirma o presidente da ASFAC em entrevista ao ‘Negócios’, sem revelar o valor. No entanto, segundo os dados do mesmo jornal, a taxa de incumprimento rondará os 4%, “muito semelhante à que se registava antes da crise pandémica”.

De acordo com o presidente da ASFAC, ainda antes do fim da moratória, as instituições de crédito contactaram os seus clientes para os preparem para o fim do regime. “Muitas das instituições apresentaram como solução uma consolidação dos créditos, tanto internos como externos, por forma a que as pessoas tivessem uma redução das prestações ou da própria taxa de juro”, travando situações de incumprimento, explica Gomes Pereira.

Mas este cenário poderá mudar com o fim da moratória pública, quando as famílias têm de voltar a pagar o crédito da casa, aumentando as responsabilidades financeiras. “Prevejo que haja algum impacto a partir de outubro”, afirma o presidente da ASFAC quando questionado se é esperado um aumento do incumprimento nos próximos meses.

“Ao terminarem as moratórias do crédito à habitação, os particulares se calhar não vão ter a mesma facilidade em pagar. Porque, como sabemos, o maior peso no orçamento dos particulares é a prestação do crédito à habitação e a partir do momento em que começarem a pagá-lo vão ter mais dificuldades em pagar os outros créditos, nomeadamente o crédito ao consumo”, nota Duarte Gomes Pereira.

Esta semana, Siza Vieira, ministro da Economia, anunciou que o Estado vai dar uma garantia a 25% dos créditos em moratória às empresas mais afetadas pelos efeitos da covid-19 na economia.

Esta medida é elogiada pela ASFAC: “Vejo isto como uma medida positiva. Mais ainda, acho que é este tipo de medidas que devem ser tomadas. Se calhar até mais, com injeção de capital nas empresas com maiores dificuldades, a fundo perdido”, refere.

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