Se há algo que se pode atribuir às autoridades russas é a especialidade em procurar o lado positivo das coisas. Falar na guerra na Ucrânia não é falar sobre o isolamento do Ocidente ou a economia de rastos, antes apontarão para um mundo multipolar em ascensão e baixo desemprego.
E, de acordo com o jornal ‘POLITICO’, embora ninguém fale do estimado um milhão de soldados russos mortos e feridos, há quem aponte que o conflito ajudou a Rússia a avançar na indústria de próteses.
“Os participantes da operação militar especial permitiram-nos atingir um novo patamar”, disse Anna Tsivilyova, vice-ministra da Defesa e filha do primo do presidente Vladimir Putin, esta quinta-feira, durante o Fórum Económico Oriental em Vladivostok. “Provavelmente estamos na liderança neste campo agora. Nem a China, nem os países da Ásia-Pacífico, nem os países europeus oferecem um serviço tão abrangente”, acrescentou.
Para Tsivilyova, os veteranos de guerra russos são agora vistos como uma “força motriz através da qual o Governo começou a implementar ativamente essas inovações e acumulou experiência global aqui mesmo no nosso país”.
“Pessoas com amputações duplas de membros inferiores ficam em pé em pranchas de snowboard, esquis… jogam ténis, fazem escalada, montanhismo, andam de bicicleta”, explicou. “Acho que este é um grande avanço no campo das próteses.”
Apesar da perspetiva otimista de Tsivilyova, vários meios de comunicação independentes russos relataram atrasos de meses e outros problemas para soldados feridos que precisam de próteses.
Através de dados do Ministério do Trabalho da Rússia, a agência de investigação ‘Takie Dela’ calculou que 152.500 membros artificiais foram emitidos em 2024, um aumento de 53% em comparação ao ano anterior. O número de cadeiras de rodas doadas disparou em 18%.
Outro veículo de comunicação independente russo, o ‘Verstka’, estimou em março de 2024 que a guerra na Ucrânia feriu gravemente cerca de 100 mil soldados russos, dos quais pelo menos metade, segundo estatísticas oficiais, teve de sofrer amputações. O número real provavelmente é muito maior.
“O progresso na medicina é uma coisa boa”, escreveu o analista político crítico do Kremlin, Fyodor Krasheninnikov, em resposta às palavras de Tsivilyova, “mas no século XXI seria preferível alcançá-lo sem recorrer a métodos bárbaros”, como a guerra na Ucrânia.







