Fidelidade quer crescer em Moçambique e olha para a África do Sul

O administrador da Fidelidade André Cardoso disse hoje que aquele grupo segurador investiu 46,8 milhões de euros na compra de 70% da SIM para crescer em Moçambique e está a olhar para outros países africanos, entre os quais a África do Sul.

“A expansão internacional é uma iniciativa prioritária para a Fidelidade”  desde a sua privatização e da entrada da Fosun, o acionista chinês que detém hoje 80% do seu capital, referiu aquele responsável.

Neste contexto, a companhia tem vindo “a apostar na presença em África. Angola, Cabo Verde e Moçambique são países onde já estamos presentes há alguns anos. Para além da presença que fomos desenvolvendo em outras áreas geográficas, como a América Latina”, adiantou.

Assim, “eu diria que a nossa ambição internacional nasce com um suporte muito grande do acionista chinês, mas também da Caixa Geral de Depósitos”, sublinhou André Cardoso, frisando que, em África, o mercado moçambicano é “claramente um daqueles” onde a empresa acredita que “faz sentido investir”.

Porque até agora a operação da Fidelidade era “relativamente pequena”, em Moçambique, mercado onde entrou com uma operação orgânica em 2014.

Por isso, “entendemos que a SIM [Seguradora Internacional Moçambique], Impar digamos, era o parceiro ideal para, no fundo, podermos ganhar aqui um conjunto de competências e de valências que nos permitissem uma nova posição competitiva no mercado moçambicano e estarmos mais preparados para captar o potencial de crescimento” que tem.

A empresa tem raízes locais, rede de distribuição, proximidade aos clientes e as competências do ponto de vista técnico, que fazem com que, a juntando ao que é a realidade da Fidelidade em Moçambique, permita ao grupo estar “numa posição mais competitiva, especialmente mais vantajosa no mercado moçambicano”, explicou.

Assim, o gestor considerou que, depois da integração da Fidelidade na Fidelidade Impar (nome da empresa no futuro) será “um dos principais ‘players’ seguradores no mercado moçambicano, com um conjunto de valências diferenciado”.

“Ao juntarmos as duas empresas, estamos a falar de um conjunto de 200 pessoas, de um universo de distribuição de 200 balcões bancários e mais de 100 mediadores, ou seja, criamos uma estrutura que nos agrada”, sublinhou.

Mas em África, Moçambique não é o único mercado para o qual a Fidelidade olha, admitiu. “Vejo África como uma aposta em paralelo” à da América Latina, disse.

 “Nunca deixamos de apostar em África. A nossa operação em Cabo Verde é uma operação forte. Também em Angola temos uma operação já desde 2012. Em Cabo Verde somos a seguradora líder. Em Angola, estamos entre as três principais seguradoras do mercado. Se excluíssemos as seguradoras estatais, seríamos uma das principais no mercado angolano”, referiu.

Além disso, a Fidelidade mantém “a ambição de crescer” nos mercados internacionais. Desde logo nos mercados onde está presente e quer procurar formas de melhorar a sua posição competitiva, como foi o caso de Moçambique. E depois, avançando para os mercados que são atrativos para a Fidelidade.

“Não são um ou dois. Existe um conjunto mais amplo e devo dizer que passam por América Latina e África.

Neste contexto, “não quero estar a dizer que África do Sul será um próximo passo, mas posso dizer que acompanhamos o mercado e que é um dos que, de facto, merece a nossa atenção (…), embora ainda sem ter qualquer interesse em específico”.

Quanto à estratégia para a SIM, da qual a Fidelidade comprou recentemente 70% do capital, e que vai passar a chamar-se Fidelidade Impar, André Cardoso referiu que o grupo viu aquele negócio como “uma operação de crescimento”, porque “efetivamente em Moçambique vemos o crescimento a acontecer e vemos o aumento da penetração de seguros no mercado”.

Portanto, o que a Fidelidade pretende é “precisamente aproveitar as complementaridades e competências de cada casa e poder ser mais forte junto do mercado”, frisou.

Por exemplo, na área de produto, “a Fidelidade Impar vai passar a oferecer o seguro de saúde no mercado de Moçambique. Era algo que a Fidelidade tinha, mas era algo que a Impar não tinha”.

Para o sucesso do projeto, André Cardoso não tem dúvidas de que o Millenium Bim [Banco em Moçambique do grupo Millennium bcp] “é um parceiro estratégico”, porque a Fidelidade Impar vai vender os seus seguros através da rede de 200 balcões bancários daquele banco.

A Fidelidade adquiriu 70% da seguradora e o Millennium Bim fica, numa primeira fase, com 22%, “logo é um parceiro acionista de referência no desenvolvimento do projeto”.

No âmbito desta transação, André Cardoso explicou que “ficou assegurado um acordo de distribuição de seguros através do Banco Millennium Bim de longo prazo, que faz parte do processo de compra”.

Existe, além disto, “um mecanismos de opções com o fim de entre dois a três anos podermos avaliar a hipótese de adquirir mais 12%. Mas, para nós, o mais importante que, independentemente, do Millennium Bim ter 10% ou 20% ou 22%, é que seja sempre um parceiro relevante”, assegurou.

A SIM opera essencialmente duas marcas: a Impar, que é muito conhecida no mercado, e depois a marca Bim Seguros para o canal bancário.

“Nós vamos manter a operação dessas duas marcas e vamos manter a marca Fidelidade, que tem um nome forte mesmo em África e vamos operar as várias marcas, porque isto permite-nos permite-nos também ter maior flexibilidade para segmentar e operar com distintos canais”, disse agora André Cardoso.

Portanto, “a empresa mãe chama-se SIM, mas como não passa de um veículo legal, a marca que vai nascer ou já nasceu é a Fidelidade Impar. Essa sim é a marca do dia de amanhã”, concluiu.

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