Festivais de música enfrentam Verão incerto

Mais de um quarto dos festivais de música que deverão ter lugar no Reino Unido este ano foram cancelados como resultado da inação do governo em matéria de seguros de eventos.

Segundo a Associação de Festivais Independentes (AIF), que tem vindo a acompanhar os festivais que têm lugar na Grã-Bretanha este ano, 26% de todos os festivais com capacidade para mais de 5 mil pessoas foram cancelados pelos seus organizadores.

A AIF projetou que mais de três quartos (76%) dos restantes festivais poderiam ser cancelados iminentemente se não forem revistas as ações relativas às apólices de seguro de cancelamento de eventos de grande escala.

Em Portugal, a situação não se vislumbra tão grave. De acordo com dados compilados pela APORFEST – Associação portuguesa festivais de música contam-se até ao momento 61 festivais de música confirmados, 8 cancelados e 1 adiado.

“Este é um ano de muita sensibilidade política e por isso os eventos são essenciais para os municípios e para as suas ligações com a sua comunidade – atualmente estamos a verificar que os promotores estão a repensar modelos e estratégias para conseguirem realizar os seus festivais, embora sejam sempre adaptações”, refere Ricardo Brandão, fundador da APORFEST à Executive Digest.

Contudo, o responsável da APORFEST reconhece que este ano não voltará a haver 300 festivais, como era recorrente haver até 2019, “mas estamos a crer que os festivais sem dependência de recursos e artistas internacionais poderão realizar-se.”

Grande parte do futuro dos festivais de música está a ser desenhado nos bastidores. Ricardo Brandão refere que a APORFEST tem estado a trabalhar com o governo há vários meses, de onde surgiram diferentes Eventos Teste-Piloto para o setor que servirão para libertar a organização de eventos de muitas das restrições atuais (lotação, distanciamento entre público).

“Julgamos que a fase em que estamos atualmente poderia ter sido autorizada e antecipada – esta demora fez com que muitos festivais decidissem não realizar as suas edições para este ano ou porque não tinham respostas concretas de como o poderiam fazer ou porque com as atuais restrições não valeria a pena correr o risco e estarem dependentes de muita incerteza”, conclui o responsável da APORFEST.

A associação do setor salienta ainda a necessidade de o Governo criar uma linha de apoio específica para Festivais de Música, salientando “que se deveria seguir o modelo de vários países Europeus, do Canadá e Austrália, em que existiram linhas de apoio para o setor para os eventos cancelados e não cancelados, mas de forma a preparar com rigor o ano de 2022 e isso é agora que tem de ser feito.”

 

 

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