Ferro Rodrigues sobre o 25 de Abril no Parlamento: «Houve uma instrumentalização política»

O presidente da Assembleia da República considera que não existe qualquer perigo para a saúde pública na realização das cerimónias do 25 de Abril.

Simone Silva

O presidente da Assembleia da República (AR), Eduardo Ferro Rodrigues, defende que existiu uma tentativa de «instrumentalização política e populista», referindo-se àqueles que não queriam que as cerimónias de celebração dos 46 anos do 25 de Abril, se realizassem e por isso «inventaram uma notícia falsa, que dizia que iam estar 300 pessoas na Assembleia, algo que nunca esteve previsto», afirma em entrevista à ‘Antena 1’.

«A partir daí desencadeou-se um processo em que muita gente foi atrás, por motivos de preocupação, motivos de saúde pública que eu respeito, mas por estarem mal informados», afirma o responsável, acrescentando que «aquilo que quero é estar bem com a minha consciência e com aquilo que é a representatividade democrática no Parlamento».

Ferro Rodrigues refere ainda que «se o Parlamento aprovou as cerimónias por 95%, não é pelo facto de haver uma espécie de tentativa populista de democracia ‘à lá Internet’, que eu ia ceder».

Numa outra entrevista dada à TSF, o presidente da AR indica também que a «a Assembleia da Republica não representa nenhum perigo para a saúde publica e muito menos a cerimónia de homenagem ao 25 de Abril de 74». O responsável afirma que «o que seria estranho era a Assembleia não fazer a cerimónia do 25 de Abril», refere, em resposta àqueles que o têm criticado por defender a realização das cerimónias.

«Porque é que a Assembleia da República, tendo estado pronta para votar a Lei do Estado de Emergência, agora tinha de fechar?», questiona Ferro Rodrigues, respondendo prontamente que tal acontecimento «Seria completamente estúpido» e sublinhando até que esta é uma das datas «mais importantes do ano», em conjunto com o debate do Estado da Nação e da discussão do Orçamento do Estado.

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Ferro Rodrigues defende que é necessário ter «todos os cuidados» porque «não estamos ainda com Abril conquistado para termos um maio feliz», alerta o responsável, da mesma forma que já tinham feito o Presidente da República e o próprio primeiro-ministro.

O responsável concentra-se no futuro e nas consequências que a epidemia vai provocar em todos os sectores, sublinhando que «já há muito desemprego, muito lay-off e muitas situações de pobreza», o que torna o desafio para a democracia portuguesa ainda maior, afirma citado pela TSF.

Ferro alerta ainda que a Europa tem de ser capaz de «dar sinais», sob consequência de assistirmos «a um avanço de alternativas de extrema-direita fascizantes». A ameaça, indica, é bem real, até porque «tem tudo a ver com a utilização do medo e da mentira como instrumento político» que é «uma arma típica da extrema-direita».

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