Fernando Neves de Almeida, Boyden : XIX Barómetro Executive Digest

Fiquei um pouco surpreendido com a percentagem de respondentes que refere que a sua empresa está a considerar o teletrabalho mesmo após o final das medidas restritivas. Cerca de 60% afirma que irá existir um programa de teletrabalho que abrangerá, pelo menos, 20% do trabalho realizado. É surpreendente como a pandemia acelerou a mudança na forma de trabalhar. Sem dúvida que esta mudança só pôde ser eficiente e eficaz derivado da tecnologia. Sim, hoje temos tecnologia que facilita o trabalho à distância. No entanto, a generalidade da mesma já existia em pré-pandemia. A COVID-19 o que possibilitou, neste campo, foi “obrigar” as pessoas a mudarem. Em muitos casos, acredito, que se trata de uma mudança sem retorno. No entanto, outras estratégias de aculturação e socialização terão de começar a ser adoptadas, sob pena dos vínculos com a organização começarem a diminuir, com todos os custos que isso pode trazer associados, como diminuição do sentimento de pertença, que leva a menor lealdade. Mas, não tenho dúvidas, sobre a capacidade destas organizações que irão fomentar mais o teletrabalho, que serão capazes de serem inventivas e criativas o suficiente para tirarem os potenciais benefícios desta nova realidade, sem sofrerem com os riscos potenciais. Temos de ter sempre presente o lado humano da empresa, querendo isto dizer, que temos de gerir muito bem as emoções, mesmo à distância. Vai ser um desafio interessantíssimo para os responsáveis de Recursos Humanos. Estou certo de que eles darão conta do recado.

Testemunho publicado na edição de Agosto (nº. 185) da Executive Digest, no âmbito da XIX edição do seu Barómetro.



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