Feminicídio em Cuba eleva para 37 os casos registados este ano no país

A organização não-governamental (ONG) de defesa dos direitos das mulheres Alas Tensas (AT) confirmou um novo feminicídio em Cuba, com o número total de mulheres assassinadas na ilha desde o início do ano a subir para 37.

Executive Digest com Lusa

A organização não-governamental (ONG) de defesa dos direitos das mulheres Alas Tensas (AT) confirmou um novo feminicídio em Cuba, com o número total de mulheres assassinadas na ilha desde o início do ano a subir para 37.

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A ONG independente detalhou nas redes sociais que a vítima é Yunierkis Gómez Lozano, de 43 anos, que perdeu a vida a 09 de julho em Cumanayagua, no centro da ilha, “ao cair de um terraço após um confronto com o companheiro e pai dos seus dois filhos adolescentes”.


Segundo a AT, o agressor suicidou-se após o crime, e a plataforma denunciou que Gómez se encontrava “numa situação própria da violência de casal prolongada durante anos”.


A organização enviou condolências aos dois filhos da vítima e “pessoas próximas e à comunidade que chora esta tragédia em meio à situação violenta do país”.


A AT notou que investiga doze possíveis feminicídios e cinco tentativas sinalizadas em 2025, bem como dez possíveis feminicídios e três tentativas em 2026.

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A plataforma de defesa dos direitos da mulher tem alertado em várias ocasiões para “a persistência da violência extrema” em Cuba contra as mulheres, sobretudo no âmbito das relações formais e também com ex-companheiros, onde continuam a ocorrer feminicídios com “altos níveis de brutalidade”.


No relatório sobre violência de género relativo a 2025, publicado em abril passado, a AT assinalou que em 93,8% dos casos verificados em Cuba o agressor era uma pessoa conhecida da vítima.


O documento refere ainda que a situação crítica em Cuba contribui para uma maior desproteção das mulheres e meninas perante a violência de género, razão pela qual a AT tem exigido a criação de uma rede nacional de abrigos e de protocolos públicos.


O Estados Unidos têm aplicado há seis meses uma política de forte pressão sobre Cuba, que passa por um bloqueio petrolífero que multiplicou os cortes de energia e novas sanções.


Cuba não tem o feminicídio tipificado como crime no Código Penal e os meios de comunicação estatais raramente reportam estes casos.

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O Governo da ilha declarou “tolerância zero” contra a violência contra mulheres, mas as ativistas denunciam a falta de ações concretas, tanto na prevenção como na atenção e apoio às vítimas.


A ONBC (Organización Nacional de Bufetes Colectivos), uma entidade jurídica profissional cubana, confirmou que em 2024 os tribunais identificaram, em julgamentos, um total de 76 mulheres assassinadas por companheiros, ex-companheiros ou outras pessoas.


Os dados compilados pela agência de notícias EFE, com base em registos da ONG de defesa dos direitos da mulher, apontam para pelo menos 46 assassínios machistas em Cuba em 2025.

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