As reuniões da semana passada dos bancos centrais comprovaram as expetativas dos especialistas, com as taxas a aumentarem de acordo com as expectativas do mercado que interpretou as comunicações como sendo maioritariamente dovish.
No que respeita aos mercados cambiais, o relatório do mercado de trabalho dos EUA para janeiro acabou com todas as expectativas e, na sexta-feira, fechou em alta as taxas de juro e o dólar. Neste cenário, o mercado de trabalho dos EUA parece não estar a sofrer com todo o aperto da Reserva Federal norte-americana (Fed), estando inclusive num movimento ascendente.
David Brito, Diretor-Geral da Ebury, explica à Executive Digest que o dólar superou o desempenho do G10 na semana passada, mas as moedas dos mercados emergentes resistiram bastante bem, especialmente as da Ásia que estão a beneficiar do fim das políticas de COVID zero na China.
“Com a Fed pronta a aliviar o travão enquanto o BCE continua o movimento contrário, o ambiente deverá permanecer euro-positivo, apesar da retração da semana passada. No entanto, a incerteza é elevada e todos os bancos centrais deverão analisar de forma muito próxima os próximos dados sobre a inflação”. Explica David Brito.
Para esta semana o foco deverá ser os discursos Fed, do BCE e do Banco de Inglaterra, esperando-se também a divulgação dos dados do IPC da China que, com o fim do lockdown devido ao Covid, espera-se que a inflação aumente rapidamente e convirja com os níveis de outros países.
A Ebury considera ainda que a Zona Euro parece ter evitado a recessão no último trimestre de 2022, reflexo do aumento menos expressivo das taxas de juro em 50 pontos-base pela instituição liderada por Lagarde. “Em todo o caso, a chave nos próximos meses serão as impressões da inflação. O relatório de janeiro trouxe mais uma surpresa ascendente, com a inflação de base a permanecer sempre elevada, nos 5,2%”, sublinha.














