O FBI realizou esta sexta-feira buscas à residência de John Bolton, antigo conselheiro de Segurança Nacional de Donald Trump, no estado de Maryland, no âmbito de uma investigação sobre o eventual manuseamento incorreto de informação classificada. A informação foi avançada à agência Associated Press por uma fonte próxima do processo, sob condição de anonimato.
O FBI realizou esta sexta-feira buscas à residência de John Bolton, antigo conselheiro de Segurança Nacional de Donald Trump, no estado de Maryland, no âmbito de uma investigação sobre o eventual manuseamento incorreto de informação classificada. A informação foi avançada à agência Associated Press por uma fonte próxima do processo, sob condição de anonimato.
De acordo com a mesma fonte, Bolton não foi detido nem está acusado de qualquer crime. Um advogado que já representou o ex-conselheiro recusou comentar o caso, assim como o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que até ao momento não prestou declarações oficiais.
Apesar da ausência de esclarecimentos formais, altos responsáveis da administração recorreram às redes sociais para deixar mensagens interpretadas como uma referência à operação. Kash Patel, atual diretor do FBI e autor de um livro de 2023 onde descreveu Bolton como parte de uma alegada “deep state” no Executivo, escreveu na rede X: “Ninguém está acima da lei… os agentes do FBI estão em missão.” Pouco depois, a procuradora-geral Pam Bondi partilhou a publicação, acrescentando: “A segurança da América não é negociável. A justiça será perseguida. Sempre.”
As buscas à casa de Bolton inserem-se num contexto mais vasto de medidas tomadas pela administração Trump contra figuras consideradas adversárias do presidente republicano. Entre essas ações está a autorização de um grande júri para investigar as origens da investigação às alegadas ligações entre Trump e a Rússia.
Ao mesmo tempo, decorrem investigações por alegada fraude hipotecária que envolvem o senador democrata Adam Schiff, da Califórnia, e a procuradora-geral de Nova Iorque, Letitia James, responsável pela ação cível por fraude contra Trump e a sua empresa. Ambos negaram veementemente qualquer irregularidade através dos seus advogados. Também Jack Smith, antigo procurador especial contra Trump, está a ser alvo de uma investigação conduzida por um organismo independente de fiscalização.
Em entrevista à cadeia ABC, concedida no início de agosto, Bolton admitiu recear retaliações da administração Trump, mas recordou que, na sua visão, essas já tinham começado. “Trump já veio atrás de mim ao retirar-me a proteção de segurança. Penso que é uma presidência de retaliação,” afirmou.
Logo no primeiro dia do seu regresso à Casa Branca este ano, Trump revogou as autorizações de segurança de mais de quatro dezenas de antigos responsáveis dos serviços de inteligência, incluindo Bolton. O ex-conselheiro foi também um dos vários antigos membros da administração cujos esquemas de proteção pessoal foram cancelados.
John Bolton foi o terceiro conselheiro de Segurança Nacional de Trump, exercendo funções durante 17 meses, entre 2018 e 2019, período em que entrou em conflito com o presidente em matérias como o Irão, o Afeganistão e a Coreia do Norte.
Durante o primeiro mandato de Trump, o antigo conselheiro esteve igualmente sob investigação devido a um livro em que relatava a sua experiência no governo e que, segundo a administração, continha informação classificada. O Departamento de Justiça acabou, porém, por desistir da ação judicial em 2021 e encerrou a investigação do grande júri. Advogados de Bolton sustentaram que o livro foi publicado apenas depois de um responsável do Conselho de Segurança Nacional ter assegurado que o manuscrito já não incluía informação sensível.
Bolton, que antes tinha desempenhado funções como embaixador dos Estados Unidos na ONU durante a presidência de George W. Bush e trabalhado na administração de Ronald Reagan, chegou a ponderar candidatar-se à presidência norte-americana em 2012 e 2016.








