De acordo com os dados revelados esta segunda-feira pela Pordata, base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, são as famílias com filhos, as pessoas com mais de 65 anos, as com menos de 18 e os desempregados quem mais é afetado pela pobreza em Portugal.
De acordo com as estatísticas de 2020, relativamente aos agregados familiares, os que apresentam maior taxa de risco de pobreza (percentagem de pessoas que ficam abaixo do limiar de risco da pobreza), já após os apoios sociais, as mais afetadas são as famílias com um adulto e pelo menos uma criança dependente (30,2% de taxa de risco de pobreza), seguidas de muito perto pelas famílias com dois adultos com três ou mais filhos dependentes (29,4%).
Os agregados familiares compostos por apenas um adulto registam uma taxa de risco de pobreza elevada, situada nos 24,2%, assim como outros agregados com crianças dependentes (26,3%).
Perante os dados segundo as faixas etárias, são os menores de 18 anos os que apresentam maior taxa de risco de pobreza, mesmo com os apoios sociais: 20,4%. As pessoas com mais de 65 anos surgem no 2.º lugar dos mais suscetíveis à pobreza, com 20,4%.
Já relativo à situação de emprego, os desempregados (46,5%) e outros inativos (39,8%) são as categorias que registam maior taxa de risco de pobreza, após apoios sociais, segundo o relatório divulgado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.
Olhando ao início da pandemia, comparando os dados de 2019 e 2020, os mais afetados pela pobreza foram as famílias com um adulto e pelo menos uma criança dependente (aumento da taxa de risco de pobreza, após apoios sociais, de +4,7%), os agregados com dois adultos em que pelo menos um tem 65 ou mais anos (mais 3,5%) e outros agregados com crianças dependentes, onde foi registado o maior aumento da taxa de risco de pobreza (mais 8,7%).
A análise aos mesmos dados, mas por grupos etários, verifica-se que foi nas pessoas com 65 ou mais anos que mais aumentou a taxa de risco de pobreza entre 2019 e 2020: um crescimento de 2,6%. No mesmo período, quanto à situação laboral, foram os desempregados quem mais sofreu, com a taxa de risco de pobreza a aumentar em quase 6 pontos percentuais (5,9%).
Mais famílias com rendimentos mais baixos. Aumentam desempregados inscritos nos centros de emprego e beneficiários de RSI
Segundo os dados revelados no relatório da Fundação Francisco Manuel dos Santos, em 2020 aumentaram as famílias com rendimentos mais baixos, sendo que dos 5,5 milhões de agregados familiares com declarações de IRS, perto de 2 em cada cinco vivem com, no máximo, 10 mil euros por ano. Isto significa que quase 40% das famílias auferiam pouco mais de 830 euros por mês. Regista-se que, pela primeira vez desde 2015, aumentou o número de agregados familiares no primeiro escalão de IRS (com até 5 mil euros anuais, 416 euros por mês): em 2020 foram mais 58 mil agregados nesta situação, um aumento de 8,6% face ao ano anterior.
No que diz respeito ao desemprego, os dados mostram que 2020 inverteu a tendência, verificada desde 2014, de redução no número médio anual de desempregados inscritos nos centros de emprego: eram quase 385 mil, uma subida em flecha de 22,5% face a 2019. Já em 2021, o número voltou a aumentar para mais de 386 mil, um aumento de 0,3% face a 2020.
Também se verifica em 2021 um aumento de 1,6% no número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI), após uma redução verificada em 2020. No ano passado eram mais de 262 mil os beneficiários de RSI, sendo que mais de metade (52%) eram mulheres e 41% tinham menos de 25 anos.













