Familiares dos manifestantes anti-guerra deviam ser enviados para a linha da frente na Ucrânia, considera aliado de Putin

Líder checheno Ramzan Kadyrov conteve uma manifestação de dezenas de mulheres em Grozny e fez ameaças

Francisco Laranjeira

O líder checheno Ramzan Kadyrov, um dos mais férreos aliados de Vladimir Putin, ameaçou enviar os familiares dos manifestantes anti-guerra para a linha da frente na Ucrânia.

O anúncio do presidente russo de uma mobilização parcial conduziu a diversos protestos um pouco por toda a Rússia mas também na Chechénia: em Grozny, na passada 4ª feira, várias dezenas de mulheres protestaram, uma ação que levou Kadyrov a chamá-las de “inimigas do povo” e ameaçou mesmo enviar os respetivos familiares para a guerra.

“Algumas pessoas escreveram que é necessário sair contra a mobilização parcial. Nessas condições, ninguém deve discutir a decisão [de Putin] mas deve cumprir. Pelo que peço a todos para não se envolverem em disparates. Quem sair [para protestar] é um inimigo do povo”, escreveu o responsável checheno, num vídeo publicado no canal da rede social ‘Telegram’.

As mulheres que participaram do protesto em Grozny foram detidas imediatamente, segundo relatos dos media locais “Essas pessoas devem ser detidas, essas pessoas devem ser enviadas para lugares onde uma operação especial está a ser realizada”, acusou Kadyrov, que referiu ainda que três das mulheres que saíram para protestar têm atualmente filhos a lutar na Ucrânia e os parentes masculinos das manifestantes devem “também estar no território onde a Rússia está a realizar uma operação especial”.

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