Falta de água provoca onda de cancelamentos no turismo e milhares de euros de prejuízo na Costa de Caparica

Os empresários do alojamento turístico da Costa de Caparica enfrentam uma nova vaga de prejuízos em plena época alta, depois de as falhas no abastecimento de água registadas no início de julho terem desencadeado um aumento dos cancelamentos de reservas.

Revista de Imprensa

Os empresários do alojamento turístico da Costa de Caparica enfrentam uma nova vaga de prejuízos em plena época alta, depois de as falhas no abastecimento de água registadas no início de julho terem desencadeado um aumento dos cancelamentos de reservas. Apesar de o serviço já ter sido normalizado, muitos turistas continuam a alterar os planos de férias por recearem novos cortes, enquanto os operadores alertam para os danos provocados na imagem do destino e para o impacto económico que a publicidade negativa poderá continuar a gerar durante os próximos meses.

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Segundo noticia o Diário de Notícias (DN), proprietários de alojamentos locais e unidades hoteleiras relatam que as anulações de reservas continuam a suceder-se devido à falta de confiança dos visitantes. Francisco Ribeiro, que gere 15 unidades de alojamento local entre a Charneca da Caparica e a Costa de Caparica, com capacidade para cerca de 80 hóspedes, estima já prejuízos superiores a 10 mil euros entre reembolsos, cancelamentos e noites oferecidas. O empresário descreve ainda situações concretas de clientes que optaram por cancelar as férias por não existirem garantias de que o abastecimento de água não voltará a falhar, incluindo uma família que viajaria com crianças e outra acompanhada por uma pessoa com doença oncológica. O gestor admite também preocupação com as avaliações negativas deixadas nas plataformas de reservas, onde alguns hóspedes classificaram a experiência como “horrível devido à falta de água”, comentários que poderão continuar a afastar turistas, sobretudo estrangeiros.

As preocupações são partilhadas por outros operadores da região. Cláudia Fernandes, responsável por seis alojamentos locais na Costa de Caparica, afirma que os comentários públicos sobre a crise da água estão a criar um “efeito multiplicador”, desencorajando potenciais visitantes e colocando em risco a fidelização de clientes habituais que regressavam todos os anos. A mesma preocupação é expressa pela Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP). O presidente da associação, Eduardo Miranda, considera que a situação representa “um problema gravíssimo num destino”, sublinhando que a publicidade negativa compromete a imagem de uma estância balnear que vinha a ganhar notoriedade. Também o hotel de quatro estrelas Tryp Lisboa Caparica Mar confirma que os cancelamentos aumentaram após os incidentes, com o diretor Gonçalo Proença a reconhecer que um problema relacionado com um serviço básico como o abastecimento de água provoca inevitavelmente uma retração da procura e afeta a atratividade turística da região. O responsável acrescenta ainda que já é visível uma diminuição do número de turistas nas praias da frente marítima da Caparica.

Enquanto os empresários defendem que os problemas de abastecimento não são inéditos nem exclusivos da época balnear, contrariando a explicação da Câmara Municipal de Almada de que as dificuldades resultaram do aumento do consumo, alertam para consequências económicas que poderão prolongar-se muito para além deste verão. Francisco Ribeiro recorda que as falhas acontecem regularmente e revela que, apenas entre maio e junho, faturou menos 45 mil euros do que no mesmo período de 2025, receando agora que os danos reputacionais causados pela crise da água continuem a afastar visitantes e a penalizar um dos principais destinos turísticos da margem sul do Tejo.

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