A partir de uma vivenda aparentemente discreta em Vila Nova de Gaia, uma rede criminosa familiar terá montado um esquema de burlas online que, entre 2022 e 2024, rendeu perto de um milhão de euros, noticia o ‘Correio da Manhã’. No centro do caso está Vítor, atualmente com 25 anos, que é apontado como o criador da estrutura. Além dele, estão no banco dos réus mais 18 pessoas, incluindo a companheira, o irmão, os pais, a avó e uma prima.
Durante cerca de dois anos, o grupo terá enviado milhares de mensagens fraudulentas com o objetivo de obter códigos de acesso a contas bancárias. Para isso, recorria a falsas páginas de Internet que imitavam instituições como o Banco de Portugal, a Caixa Geral de Depósitos e o Novo Banco. As mensagens invocavam alegadas operações de proteção de dados para convencer as vítimas a fornecer informação pessoal.
Com esses dados, os burlões conseguiam entrar nas contas bancárias e retirar o dinheiro disponível. Um dos métodos passava também por contactar responsáveis de empresas, fazendo-se passar por funcionários bancários. Segundo a acusação do Ministério Público, os arguidos diziam que a empresa estava a ser alvo de um ataque informático e usavam informação sobre movimentos recentes das contas para tornar o contacto credível. Num dos casos, um empresário terá perdido 200 mil euros de uma só vez.
Depois de o dinheiro ser retirado, os montantes passavam por várias transferências, com recurso a testas de ferro, até voltarem à esfera do grupo. De acordo com o Ministério Público, citado pelo ‘Correio da Manhã’, o valor indevidamente obtido aproxima-se de um milhão de euros, montante apurado através da avaliação do património associado ao processo.
Os arguidos estão a ser julgados no Tribunal de São João Novo, no Porto. Nas alegações finais, esta segunda-feira, o procurador do Ministério Público pediu penas pesadas de prisão, embora sem especificar o número de anos. Seis arguidos continuam em prisão preventiva, enquanto os restantes aguardam o desenrolar do processo em liberdade. Todos são de nacionalidade brasileira.
A Polícia Judiciária desmantelou a rede e deteve os suspeitos, agora acusados de crimes como associação criminosa, burla informática e branqueamento de capitais. A defesa da prima do principal arguido sustenta que a cliente terá cedido as suas contas bancárias de forma “ingénua”, a pedido de um familiar em quem confiava. O advogado Pedro Pestana afirmou ao ‘CM’ que, em julgamento, “não foi feita prova contra a arguida”.






