Falha de San Andreas em alerta: tensão tectónica atinge níveis máximos dos últimos mil anos

Região poderá ter potencial para gerar, no futuro, um sismo de grande magnitude e fortemente destrutivo. Os investigadores sublinham, no entanto, que o estudo não permite prever quando ocorrerá um terramoto, garantem cientistas

Francisco Laranjeira

A tensão tectónica acumulada nas falhas de San Andreas e San Jacinto, no Sul da Califórnia, atingiu os níveis mais elevados dos últimos mil anos e, em alguns segmentos, já os ultrapassou, avança a ‘Euronews’. A conclusão consta de um novo estudo sobre risco sísmico numa das regiões mais densamente povoadas dos Estados Unidos.

O trabalho indica que a região poderá ter potencial para gerar, no futuro, um sismo de grande magnitude e fortemente destrutivo. Os investigadores sublinham, no entanto, que o estudo não permite prever quando ocorrerá um terramoto.

Registo sísmico de mil anos

A investigação foi liderada pela Universidade do Havai, campus de Mānoa, e publicada na revista científica ‘Journal of Geophysical Research: Solid Earth’.

Os cientistas desenvolveram um modelo informático para simular a forma como a tensão se acumula e se liberta ao longo do tempo nos sistemas de falhas de San Andreas e San Jacinto.

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Para isso, recorreram a cerca de mil anos de registos sísmicos, reconstruídos a partir de dados geológicos, incluindo datação por radiocarbono de sedimentos deslocados e registos de anéis de crescimento das árvores.

Com base nesses dados, os investigadores fizeram simulações até ao presente para estimar quanta tensão poderá estar atualmente acumulada nas falhas.

Duas falhas podem romper no mesmo sismo

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Um dos pontos centrais do estudo é a região de Cajon Pass, onde se cruzam os dois grandes sistemas de falhas. Os investigadores sugerem que esta zona pode funcionar, em certos momentos, como uma espécie de “porta sísmica”.

Por vezes, Cajon Pass poderá travar a propagação de grandes sismos de uma falha para outra. Noutros momentos, poderá permitir essa passagem.

A conclusão mais preocupante é que, em determinadas condições, as falhas de San Andreas e San Jacinto podem entrar em ruptura no mesmo sismo. Esse cenário poderia ter consequências mais destrutivas do que um grande terramoto limitado a apenas uma das falhas.

Los Angeles entre as zonas expostas

Um evento deste tipo poderia afetar, antes de mais, a área de Los Angeles, mas também regiões como San Bernardino, Riverside e o Vale de Coachella, onde vivem milhões de pessoas.

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A ‘Euronews’ destaca que a tensão que normalmente seria libertada por grandes sismos tem continuado a acumular-se há muito tempo. Segundo o estudo, essa acumulação poderá ter atingido agora níveis sem precedentes em alguns segmentos das falhas.

A importância da descoberta está menos numa previsão imediata e mais na avaliação do perigo. O estudo ajuda a compreender melhor como diferentes falhas podem interagir e como essa interação pode aumentar o risco sísmico.

Não é possível prever a data

Os investigadores insistem que o trabalho não deve ser lido como um alerta para um sismo iminente com data marcada. A ciência ainda não permite determinar com exatidão quando ocorrerá um terramoto.

Ainda assim, as conclusões podem ajudar a melhorar os mapas de risco sísmico, orientar investimentos em infraestruturas, atualizar regulamentos de construção e reforçar planos de emergência.

O método de modelação usado neste estudo também poderá ser aplicado a outras regiões do mundo onde existam interseções complexas entre falhas. A equipa pretende desenvolver esta abordagem como uma ferramenta mais geral para avaliar riscos sísmicos em sistemas múltiplos de falhas.

No caso da Califórnia, a mensagem é clara: não se sabe quando virá o próximo grande sismo, mas as falhas que atravessam o Sul do Estado estão hoje sob uma pressão tectónica historicamente elevada.

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