Jens Stoltenberg fez o alerta para a maior necessidade da Ucrânia, nesta nova fase da invasão da Rússia: as forças de Kiev precisam urgentemente de munições. Os tanques Leopard-2 que começam a chegar nos próximos dias , ou até os aviões de guerra, caso venham a ser decididos como apoio, de pouco servirão se as tropas ucranianas não tiverem a artilharia operacional, a esmagadora maior parte dela de fabrico soviético. A solução foi encontrada pelos aliados da Nato mais perto do inimigo do que o que se poderia pensar: nos recantos rurais do leste da Europa.
A Bulgária tem sido um aliado de peso no que respeita ao fornecimento de munições e explosivos, garantindo que, direta ou indiretamente, chegam à Ucrânia, às frentes de batalha.
É o caso de Kostenets, cidade a oeste da Bulgária, onde a população está em alvoroço com a perspetiva de um novo emprego na central industrial de munições nos arredores da cidade. O complexo de Terem vai voltar a ativar a fábrica que produzia explosivos e artilharia e encerrou em 1988, com o chegar do fim da Guerra Fria.
Em janeiro, 35 depois de as últimas peças de artilharia de 122 milímetros terem saído pela última vez da fábrica, a empresa voltou a anunciar o seu fabrico, e está à procura de trabalhadores para reforçarem a equipa.
É a solução encontrada, já que os EUA e os seus aliados na Nato não produzem estas munições. Os poucos que o fazem fora da Rússia ainda estão debaixo da esfera de influência do Kremlin.
“Isto é um grande negócio para a cidade”, diz a presidente da Câmara de Kostenets, Margarida Mincheva. Pequenas localidade no leste da Bulgária veem com bons olhos esta aposta e oportunidade.
Em Sopot, a VMZ, empresa de produção de armas que emprega grande parte da população local, também os cofres engordaram no último ano e procura-se mais trabalhadores, para responder ao aumento de produção de explosivos e artilharia soviética.
Segundo os números do ano passado, a exportação de armas a partir da Bulgária disparou para um valor de cerca de 3 mil milhões de euros, cerca de 5 vezes o registado em 2019. O fornecimento é muitas vezes feito num esquema de ‘venda escondida’ a outros países, que depois o fazem chegar à Ucrânia.
Não é caso único: O Luxemburgo tem fornecido armamento com origem na República Checa, enquanto há negociadores norte-americanos no terreno a tentarem garantir munições de Bósnia e Herzegovina, Sérvia ou Roménia. Também o Reino Unido criou uma task force secreta, com o objetivo de desenhar um plano para fornecimento de armas à Ucrânia”, segundo revela fonte oficial ao New York Times.
Stoltenberg já avisou os aliados da Nato que “há que aumentar a produção de munições”, já que a atual não responde às necessidades da Ucrânia, que chega a disparar mais de 4000 munições de artilharia diariamente”.







