Fabricante de tampas Vieira Araújo investe 8 milhões de euros para aumentar instalações e produção

A fabricante de asas e cápsulas para embalagens Vieira Araújo S.A. vai investir oito milhões de euros para duplicar as suas instalações e aumentar a produção, revelou hoje essa empresa de São João da Madeira, distrito de Aveiro.

Executive Digest com Lusa

A fabricante de asas e cápsulas para embalagens Vieira Araújo S.A. vai investir oito milhões de euros para duplicar as suas instalações e aumentar a produção, revelou hoje essa empresa de São João da Madeira, distrito de Aveiro.

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A produção dessa unidade é atualmente de 700 milhões de peças por ano, o que em 2022 representou um volume de negócios de 11,4 milhões de euros, mas o administrador da empresa espera “aumentar significativamente a produção” após concluído o investimento, equipado o novo espaço e registada a patente de novas tampas e cápsulas.

“Neste momento ocupamos uma área de 3.000 metros quadrados, multiplicada por vários pisos, e depois vamos passar a ter 6.200, mas ainda é cedo para prever o ritmo de produção. Vai depender muito da aceitação dos produtos novos que estamos a idealizar, portanto o mais certo é contar com uma faturação de 12 milhões de euros em 2023 e só depois é que saberemos com que crescimento contar nos anos seguintes”, declara José Pais Vieira à Lusa.

O investimento de oito milhões de euros envolve sobretudo capitais próprios, já que a comparticipação comunitária representa “pouco mais de um milhão”, e vai repartir-se por diferentes componentes: o terreno para a ampliação já absorveu cerca de dois milhões, a construção do novo pavilhão vai custar quatro e os restantes dois milhões destinam-se, por um lado, à instalação de um armazém inteligente que vai “triplicar a capacidade de armazenamento de produto acabado” e, por outro, à aquisição das novas máquinas e moldes para o referido aumento da produção.

Já a pensar nisso, aliás, a Vieira Araújo fez em 2022 outro investimento de 200.00 euros, ao adquirir a uma congénere que cessou atividade em Valência “todos os moldes de que ela dispunha e que entretanto estão a ser reparados” para começarem a ter utilização em São João da Madeira no final de maio, quando se iniciar a laboração no novo edifício da empresa.

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Até dezembro, a fábrica de São João da Madeira deverá também contratar mais “15 a 20 funcionários”, para reforçar a atual equipa de 77. É essa força laboral que, em cada ano, transforma cerca de 3.000 toneladas de matéria-prima em diferentes modelos de peças de precisão – à base, sobretudo, de plásticos como polietileno de alta e baixa densidade, e polipropileno.

“A principal peça que fazemos são as asas para garrafões, em vários modelos, e com isso somos dominantes no Sul da Europa e Norte de África, porque temos 80% a 90% do mercado”, revela José Pais Vieira.

As outras peças com mais saída são tampas doseadoras para produtos de higiene e limpeza, barris de cerveja e frascos de especiarias, assim como cápsulas para frascos de álcool, água oxigenada e outros desinfetantes. Essas tampas específicas foram, aliás, responsáveis por grande parte do crescimento da Vieira Araújo desde 2020, já que motivaram “uma procura formidável no início da pandemia” de covid-19, levando a que alguns clientes da empresa “subitamente passassem a encomendar o dobro e o triplo” do que pediam antes.

“Conseguimos abastecer o mercado e fizemo-lo sem aumentar os preços, o que percebemos agora que aumentou o respeito pela empresa, já que pouco fabricantes conseguiram resistir à tentação de especular”, defende José Pais Vieira.

Isso teve influência no crescimento de 16% que a Vieira Araújo registou de 2021 para 2022, mas não foi o único fator a justificar o aumento da faturação: “Como em Espanha há, desde o início de 2023, um novo imposto sobre os plásticos de utilização única, os nossos clientes de lá compraram quantidades muito maiores no final de 2022, para fugir a esse aumento de custo”.

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Apesar dessa alteração conjuntural, o destino da produção da fábrica de São João da Madeira mantém-se semelhante há anos: 30% das encomendas são absorvidas pelo mercado português e 70% seguem para outros países, sendo que nos seus 700 milhões de peças anuais a empresa tenta privilegiar o que a concorrência mais próxima não oferece.

“Procuramos sempre produzir peças que mais ninguém faça em Portugal ou em Espanha, porque senão entramos numa guerra de preços que não interessa a ninguém e só favorece os fabricantes de outros países”, justifica José Pais Vieira.

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